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Bolsonaro quer culpar Petrobras pela crise do diesel e cria cortina de fumaça, dizem conselheiros
Bolsonaro quer culpar Petrobras pela crise do diesel e cria cortina de fumaça, dizem conselheiros
Por Mônica Bergamo / Folhapress
28/05/2022 às 09:49
Foto: Mauro Pimentel/AFP/Arquivo

A tensão na Petrobras em relação a Jair Bolsonaro aumenta a cada dia. Cresce entre diretores e conselheiros da empresa a certeza de que o presidente da República adota, em relação à possível falta de diesel no Brasil, a mesma estratégia que teve no auge da epidemia de Covid-19: cria cortina de fumaça, segundo eles, para desviar a falta de iniciativa e planejamento do governo e se livrar da responsabilidade que, fatalmente, cairá em seu colo caso as bombas sequem.
Eles comparam as atitudes de Bolsonaro, agora, às que ele tinha no auge da epidemia de Covid-19 no país. O presidente dizia que a infecção pelo coronavírus era uma " gripezinha". E atacava medidas de isolamento, as únicas que poderiam conter o vírus durante o tempo necessário para que o sistema de saúde se preparasse para receber milhares de doentes e evitar mortes.
Ao mesmo tempo, acreditam, Bolsonaro tentava empurrar para os governadores a responsabilidade pela inevitável crise econômica. Quando ela chegasse, a culpa seria de todos –menos dele. No raciocínio de integrantes da cúpula da estatal, Bolsonaro tem postura praticamente idêntica agora: ataca a alta de preços, mas não apresenta solução para enfrentar a escassez de combustível, como caberia ao governo fazer.
Caso a crise se agrave, dizem, jogará a culpa na Petrobras –como tentou fazer com governadores quando a Covid-19 explodiu e a economia foi abalada. Por essa razão a estatal oficializou ao governo os alertas sobre a possibilidade de faltar diesel no país. Com documento em papel timbrado, ficaria mais difícil para Bolsonaro alegar desconhecimento sobre o tamanho que a crise pode tomar.
O Ministério de Minas e Energia diz que criou um comitê, e que este posteriormente criou uma mesa para acompanhar a situação do abastecimento no país. E que os estoques de óleo diesel representam 38 dias de importação.
