Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Alckmin será uma 'liderança fundamental' para derrotar Bolsonaro, diz Mercadante
Alckmin será uma 'liderança fundamental' para derrotar Bolsonaro, diz Mercadante
Por Estadão Conteúdo
05/05/2022 às 18:01
Atualizado em 05/05/2022 às 18:02
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress/Arquivo

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) se reuniu na quarta-feira, 4, com o ex-ministro Aloizio Mercadante para discutir o programa de governo da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto. O encontro ocorreu na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo, três dias antes do lançamento da chapa de Lula, que terá Alckmin como vice.
Na reunião, Mercadante pediu indicações de nomes técnicos para debater o programa de governo e sugestões ao ex-governador, que defendeu a necessidade de se construir um “pacto republicano” no País. Alckmin falou também do agronegócio. Parte do setor rejeita Lula e prefere o presidente Jair Bolsonaro (PL), mas o ex-governador tem tentado reduzir essa resistência ao petista no setor rural.
“O Alckmin agrega experiência, agrega um setor da sociedade que durante muito tempo não votou no PT ou não quis votar no PT. O Alckmin agrega pessoas que pensam diferente de nós em muitas coisas”, defendeu Lula, nesta terça-feira, 3, em entrevista à Rádio CBN Campinas. O PT espera que o ex-tucano, com imagem ligada ao centro político, também ajude a campanha a se aproximar de eleitores evangélicos e do mercado financeiro.
Em nota, Mercadante disse que Alckmin será uma “liderança fundamental” para derrotar Bolsonaro nas urnas em outubro. “Nosso entendimento é de que o pacto republicano e o pacto federativo, que estão sendo destituídos por Bolsonaro, precisam ser resgatados no Brasil, por meio da construção de relações de respeito e do estabelecimento de critérios para a distribuição de verbas públicas, seja no SUS, na educação ou nos investimentos”, afirmou o ex-ministro, presidente da Fundação Perseu Abramo e um dos coordenadores da campanha de Lula.
De acordo com Mercadante, Alckmin também discutiu formas de alavancar investimentos para retomar obras públicas paradas no País. O ex-governador deve continuar participando de forma ativa da construção do plano de governo.
A campanha de Lula passa por uma crise de comunicação. Em entrevista à revista Time, o líder nas pesquisas de intenção de voto afirmou que o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, é tão responsável pela guerra no país quanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que ordenou a invasão do território ucraniano. O petista figura na capa da edição mais recente da revista americana.
Marqueteiro
Em 25 de abril, o PT escolheu o publicitário baiano Sidônio Palmeira para comandar os programas de rádio e TV da campanha de Lula ao Palácio do Planalto. Na semana anterior, o partido havia anunciado a saída do marqueteiro Augusto Fonseca, que ficou desgastado diante de divergências relacionadas aos rumos da campanha.
Sidônio é diretor da agência Leiaute, em Salvador, e foi responsável pelos programas de TV de Fernando Haddad em 2018, quando o ex-ministro concorreu à Presidência e foi derrotado por Bolsonaro. Também já comandou campanhas de petistas como o ex-governador da Bahia Jaques Wagner e o atual, Rui Costa.
As divergências no comitê de Lula haviam aumentado diante de trocas de acusações entre o ex-ministro Franklin Martins, o coordenador de Comunicação que bancou o nome de Fonseca, e o secretário de Comunicação do PT, Jilmar Tatto. Na prática, Franklin se afastou do dia a dia da campanha, e o partido avalia colocar o prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, no lugar dele.
No começo de abril, uma série de declarações polêmicas de Lula o deixaram na defensiva e também geraram críticas internas. Durante ato da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 4 de abril, o petista repetiu a sugestão de “mapear o endereço” de deputados e “incomodar a tranquilidade deles” como forma de pressionar por demandas sindicais.
Depois, em 5 de abril, Lula disse que todas as mulheres deveriam ter direito ao aborto, tema sensível para o eleitorado conservador e religioso que ele tem tentado atrair e que apoia majoritariamente Bolsonaro, candidato à reeleição.
