/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Risco de morrer por Covid é até 18 vezes maior para idosos não vacinados

Risco de morrer por Covid é até 18 vezes maior para idosos não vacinados

Por Cristiano Martins/Diana Yukari/Folhapress

21/03/2022 às 21:55

Atualizado em 21/03/2022 às 21:55

Foto: Tiago Queiroz/Estadão/Arquivo

Na população adolescente e adulta, não vacinados morreram até 13 vezes mais no período

O risco de morte por Covid chegou a ser 18 vezes maior entre os idosos não vacinados, na comparação com os já imunizados, durante a onda causada pela variante ômicron no Brasil.

Na população adolescente e adulta, não vacinados morreram até 13 vezes mais no período.

A análise foi realizada pelo jornal Folha de S.Paulo a partir do cruzamento dos dados oficiais do Ministério da Saúde com as estimativas populacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foram considerados os registros de mortes e internações no período de dezembro a fevereiro.

No pico da onda, em janeiro, a média móvel chegou a 151 óbitos diários por milhão de habitantes entre os brasileiros de 60 anos ou mais sem nenhuma dose recebida.

Já entre os idosos protegidos com ao menos o primeiro esquema completo —duas doses ou o imunizante de aplicação única—, a incidência proporcional de casos letais naquele momento era um décimo da registrada entre não imunizados, com 15 por dia.

No início do aumento da curva de casos, em dezembro, essa diferença chegou a ser 18 vezes maior. Os óbitos de idosos não vacinados voltaram a acelerar (12,6 por milhão), enquanto as mortes entre os imunizados estavam em queda, em patamar inferior a uma por milhão.

Considerando-se todo o período de prevalência e maior circulação da variante ômicron, de dezembro de 2021 a fevereiro deste ano, a Covid matou em média 9 vezes mais idosos não vacinados do que imunizados.

Entre os adolescentes, jovens e adultos, a mortalidade de não vacinados foi em média 7 vezes maior no período.

No geral, considerando a população de 12 anos ou mais, vacinável desde o ano passado, as mortes diárias por Covid atingiram um pico de 20 por milhão de habitantes não vacinados, contra 3,6 entre os brasileiros já protegidos.

O levantamento mostra ainda um padrão similar nas hospitalizações de pacientes com quadros graves da doença. A incidência também foi 9 vezes maior entre os idosos, chegando a 16 vezes mais nos piores momentos. Nas demais faixas etárias, as diferenças foram de 6 e 13 vezes mais, respectivamente.

Essas disparidades, porém, podem ser maiores, uma vez que as doses de reforço ainda não constam nos registros oficiais de internações do Ministério da Saúde.

Cerca de 42% dos pacientes internados com quadros graves no período já tinham a recomendação para tomar a dose adicional —quatro meses após o primeiro ciclo—, mas os dados do Sivep-Gripe (Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica) não permitem saber quantos deles estavam com a vacinação em dia ou atrasada.

Paralelamente, cerca de um terço da população habilitada ainda não havia voltado para receber o reforço, de acordo com os registros do PNI (Programa Nacional de Imunizações).

Além disso, nem todas as unidades de saúde possuem a mesma velocidade e qualidade de preenchimento dos registros, especialmente nos municípios com poucos recursos e menos informatizados.

No estado de São Paulo, por exemplo, a média no período foi de 13 vezes mais óbitos entre os não vacinados, considerando-se a população de 12 anos ou mais. Quase o dobro da média nacional.

Estudo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde indicou que essa proporção chegaria a até 26 vezes, quando levada em conta a população com 5 anos ou mais. A pasta estima que haveria 716.855 moradores sem nenhuma dose da vacina no dia 26 de fevereiro.

Segundo os dados do Ministério da Saúde e do IBGE, contudo, cerca de 7% da população de 5 anos ou mais não havia recebido nenhuma dose da vacina até o fim de fevereiro, o equivalente a 3.112.283 pessoas. Quando levada em conta essa população, haveria cerca de 6 mortes de não vacinados a cada óbito de uma pessoa imunizada.

Na avaliação do pesquisador em saúde pública Marcelo Gomes, coordenador do sistema InfoGripe/Fiocruz, os dados do levantamento reafirmam o sucesso da vacinação e a importância da dose de reforço. Em especial diante dos aumentos recentes de casos na Ásia e na Europa.

"Enquanto o vírus estiver circulando, o risco vai estar sempre nos rondando. As vacinas não oferecem a proteção de 100%, mas fica claro que elas estão dando conta do recado naquilo que se propõem. Sozinhas, elas não vão conseguir impedir o surgimento de novos surtos. Mas essa diferença brutal de incidência entre os não imunizados deve ser manter em eventuais ondas novas", resume o especialista.

Gomes também explica que as variações nas taxas ao longo do tempo são esperadas e que é preciso cuidado ao analisar os dados, visto que registros de notificações estão sujeitos a atrasos e ruídos.

"Por isso é fundamental que façamos análises estatísticas para entender o quanto essa diferença é esperada ou se outros fatores podem estar envolvidos. O próprio volume de casos, o aumento epidemiológico, as novas variantes e o tempo entre a vacinação e uma nova onda podem ter um papel. São muitas variáveis e muitos fatores."

Os dados do levantamento da Folha se assemelham aos divulgados pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

Segundo o órgão, em janeiro, a proporção de hospitalizações causadas pela Covid nos EUA foi em média 6 vezes maior entre os adultos e 8 vezes maior entre os idosos não vacinados acima dos 65 anos.

"Mesmo que a média de mortes não tenha acompanhado o aumento dos casos durante a explosão da ômicron no geral, tivemos um novo pico de internações associadas à Covid na faixa dos 80 anos ou mais no Brasil, que é a população mais vulnerável. Foi muito similar ao pico de março do ano passado. Imagina se essa população não estivesse vacinada?", observa Gomes.

Em nota técnica divulgada na semana passada, os pesquisadores do Observatório Covid-19 destacaram que o nível de cobertura vacinal ainda é irregular no país.

O estudo mostrou, por exemplo, que as faixas etárias abaixo de 29 anos ainda possuem cobertura vacinal de esquema completo abaixo de 80%. E que nenhum grupo etário havia alcançado esse patamar de vacinados com a dose de reforço, mesmo entre os idosos.

"As internações em leitos clínicos, leitos de UTI e óbitos hospitalares têm cada vez mais se concentrado exatamente entre os idosos mais longevos. Dessa forma, idosos que não mantêm esquema com reforço em dia estão em situação particularmente perigosa, mesmo com o arrefecimento da incidência e mortalidade na população como um todo", alerta a nota.

A análise da Folha foi baseada nos dados de 88,9 mil casos graves registrados em todo o Brasil entre dezembro e fevereiro, de pessoas com 12 anos ou mais e com preenchimento das informações sobre o status vacinal do paciente.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.