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Randolfe pede ao Supremo que proíba novo chefe da PF de trocar diretoria que investiga Bolsonaro

Randolfe pede ao Supremo que proíba novo chefe da PF de trocar diretoria que investiga Bolsonaro

Por Estadão Conteúdo

03/03/2022 às 22:00

Atualizado em 03/03/2022 às 22:00

Foto: Dida Sampaio/Estadão/Arquivo

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu nesta quinta-feira, 3, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que proíba o novo diretor-geral da Polícia Federal, Márcio Nunes, de trocar delegados responsáveis por diretorias estratégicas até a conclusão dos inquéritos já iniciados contra autoridades com foro privilegiado.

O objetivo, segundo a representação enviada ao STF, é impedir que as substituições ocorram em efeito dominó e comprometam investigações em curso.

“Com a troca da alta cúpula da corporação, almeja-se obstruir as investigações em curso que envolvem o Presidente da República e seus familiares”, acusa o senador.

O pedido é para blindar a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), que abriga sobre o seu guarda-chuva dois dos setores mais sensíveis da corporação: o que cuida de inquéritos contra políticos e autoridades e o que investiga casos de corrupção. Randolfe também sugere o veto a eventuais trocas na Diretoria de Inteligência Policial (DIP) e em órgãos subordinados.

“A PF não é uma extensão do cercadinho do Presidente da República: trata-se de um órgão de Estado, estratégico para o devido funcionamento das instituições republicanas, cujas atribuições não podem ser violadas ao bel-prazer ou para atender caprichos e interesses particulares do governante de plantão”, diz outro trecho da representação enviada ao STF.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) trocou pela quarta vez o diretor-geral da Polícia Federal. Desde que assumiu o governo, passaram pelo cargo os delegados Maurício Valeixo, Alexandre Ramagem, Rolando de Souza, Paulo Maiurino e o atual titular, Márcio Nunes.

Cada substituição amplia o desgaste interno. Isso porque as mudanças no comando da corporação costumam trazer trocas adicionais a reboque: os diretores-gerais assumem com a perspectiva de montar equipes próprias. A avaliação entre a classe é que falta estabilidade para o trabalho.

O próprio presidente responde a diversas investigações a cargo da PF, inclusive por suspeita de tentar interferir politicamente na corporação para blindar aliados, como denunciou o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, hoje cotado como pré-candidato ao Planalto, ao deixar o governo.

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