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Diretor da EBC diz que falar de Covid 'é chato' e pressiona por redução na cobertura

Diretor da EBC diz que falar de Covid 'é chato' e pressiona por redução na cobertura

Por Mônica Bergamo/Folhapress

01/02/2022 às 09:15

Atualizado em 01/02/2022 às 09:15

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

Empresa Brasil de Comunicação

O diretor-presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Glen Lopes Valente, tem pressionado os veículos da estatal, como a TV Brasil, a reduzirem a cobertura jornalística sobre a pandemia da Covid-19.

Durante uma conversa com a chefia da empresa na semana passada, à qual a coluna teve acesso, Valente afirmou que "é chato" falar da crise sanitária diariamente e que a campanha de imunização contra o vírus "não é um negócio emocionante" para ser veiculado constantemente.

"Eu acho que tem que dar, mas não todo dia, entendeu? Todo dia é chato. Entendeu? Porque... 'De novo?'", disse Valente na ocasião. "Acho [que tem] que, uma vez por semana, fazer um destaque do que está acontecendo. Todo dia ficar falando de vacinação... Sabe, não é um negócio emocionante", continuou.

Durante a conversa, o diretor-presidente da EBC —que tem sob sua gestão a TV Brasil, a Agência Brasil e rádios públicas— ainda comparou a pandemia da Covid-19 ao surto de H1N1.

"Que nem teve o Tamiflu para a influenza, vai ter alguma coisa [medicamento para tratamento]", disse, minimizando a duração da crise.

Segundo funcionários, os comentários de Valente não se restringem à chefia dos veículos —ele também tem pressionado as equipes por um "jornal leve", classificando as edições que falam da crise como "jornal pesado". Procurada, a EBC diz que não irá comentar.

O diretor-presidente compartilha em seu perfil no Twitter postagens de ministros do governo sobre feitos de suas respectivas pastas e conteúdos que exaltam a gestão federal e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

No ano passado, uma comissão de funcionários da EBC redigiu um documento repudiando o que definiram como censura do governo Bolsonaro nas redações da empresa.

A iniciativa listou uma série de casos que comprovariam a ingerência nas atividades jornalísticas e a interferência na estrutura da empresa.

Segundo os funcionários, a empresa negligencia a cobertura da epidemia da Covid-19, "dando dados descontextualizados e não acompanhando a evolução da doença no Brasil".

No documento, eles ainda afirmaram que TV Brasil ignorou a falta de oxigênio em Manaus e que suas "redes sociais não puderam noticiar a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19".

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