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Bolsonaro volta a tentar associar saída de tropas russas à sua visita a Putin

Bolsonaro volta a tentar associar saída de tropas russas à sua visita a Putin

Por Igor Gielow, Folhapress

16/02/2022 às 16:22

Foto: Alan Santos/Presidência da República/Arquivo

Bolsonaro segue Putin para fazer declaração no salão do Grande Palácio do Kremlin

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a fazer uma ilação inexistente entre sua visita a Moscou e o anúncio da retirada de parte das tropas russas que se exercitavam em torno da Ucrânia, o que leva o Ocidente acusar Vladimir Putin de querer invadir o país vizinho.

Falando a jornalistas no final de sua agenda em Moscou, que incluiu duas horas de encontro com Putin no Kremlin, Bolsonaro disse: "Alguns países achavam que não deveríamos vir. Mantivemos nossa agenda, por coincidência ou não, parte das tropas deixou a fronteira".

"A leitura que eu tenho do presidente Putin é que ele é uma pessoa também que busca a paz", afirmou.

Os países citados são os EUA, que fizeram gestões para tentar impedir a visita, que de resto recuperou uma linha anterior do Itamaraty de buscar equidistância de grandes potências —que havia sido rompida pelo próprio Bolsonaro, na gestão encerrada no ano passado de Ernesto Araújo como ministro da área.

É a segunda vez que o presidente sugere tal despropósito. O anúncio da retirada das tropas ocorreu na manhã da terça (15), no horário moscovita, feito pelo Ministério da Defesa da Rússia pouco antes do encontro entre o premiê Olaf Scholz, da Alemanha, com Putin.

Horas depois disso, ainda em voo para Moscou, Bolsonaro postou no Facebook uma foto da notícia acerca da retirada e três frases: "Já estamos no espaço aéreo russo", "Fuso: + 6 horas", "Bom dia a todos".

Foi o suficiente para que fosse iniciada, nas redes bolsonaristas, um impulsionamento de mensagens e memes associando Bolsonaro à decisão de Putin, que de resto está sendo contestada como inverídica até agora pelos EUA e pela Otan (aliança militar ocidental).

O filho Eduardo, deputado federal pelo PL-SP, deu a senha e promoveu as hashtags "BolsonaroEvitouaGuerra" e "BolsonaroNobelda Paz". Houve, evidentemente, reações no sentido contrário, ridicularizando o presidente.

Na conversa, Bolsonaro minimizou o "timing" de sua visita e disse o que já havia falado antes, que apenas apoia países que querem a paz. Voltou a dizer que "todos países têm problemas".

Questionado se ele teria enviado alguma mensagem à Ucrânia, deixou o púlpito improvisado e tentou interromper a entrevista.

Voltou, respondendo também que havia feito "tudo o que havia sido acordado" em termos de testes de RT-PCR para detectar o novo coronavírus.

Falou sobre os negócios discutidos na viagem, em particular o interesse mútuo em fertilizantes dos dois países: a Rússia é grande produtor e o Brasil, importador. Uma fábrica desativada da Petrobras em Minas será comprada por um grupo russo para estabelecer uma linha firme entre insumos e produto final.

Bolsonaro também usou a costumeira metáfora matrimonial para falar sobre sua curta e arriscada visita, pouco mais de um dia. "Mais que casamento perfeito o sentimento que levo para o Brasil" do encontro com Putin.

Ele voa nesta quinta (17) para a Hungria, onde se encontra com líderes do país, incluindo o premiê Viktor Orbán, uma estrela do circuito populista conservador mundial. Depois, volta ao Brasil no mesmo dia.

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