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Sucessão no MP baiano: dois anos e muitos desgastes depois, recondução de Norma Cavalcanti é posta à prova
Sucessão no MP baiano: dois anos e muitos desgastes depois, recondução de Norma Cavalcanti é posta à prova
Por Redação
28/01/2022 às 11:17
Atualizado em 28/01/2022 às 11:34
Foto: Divulgação/Arquivo

O grupo liderado pela atual chefe do MP baiano, Norma Cavalcanti, vai usar a mesma estratégia que viabilizou sua escolha para o cargo, há dois anos, nas eleições que o órgão realizará no próximo dia 14 de fevereiro a fim de renovar seu comando.
Assim como fez na sucessão passada, Norma vai concorrer à lista tríplice numa chapa informal junto com os colegas Pedro Maia e Alexandre Cruz como forma de impor a escolha de um deles para a chefia do MP por parte do governador Rui Costa (PT).
Correm por fora, como candidatos de oposição aos 'normistas', os procuradores José Renato Oliva e Paulo Modesto, que é reputado como um dos maiores constitucionalistas da Bahia na atualidade.
Maia, Alexandre e Norma obtiveram o maior número de votos nas eleições passadas, alijando os então concorrentes da lista tríplice. Os dois homens chegaram a ter mais votos que ela, que acabou sendo escolhida por ter sido considerada a mais experiente e apartidária entre os três.
Mesmo assim, em postura que muitos consideraram à época desafiadora ao executivo, Norma reafirmou a disposição de comandar o Ministério Público de forma colegiada com os dois, que foram escolhidos para cargos-chave na estrutura do órgão e exerceram até agora grande influência em suas decisões.
Dois anos e muitos desgastes administrativos depois, há dúvidas sobre se o grupo registrará a mesma performance no pleito de agora e, mais ainda, se, em caso positivo, ela será reconduzida pelo governador, o que tem renovado a esperança, no próprio grupo, pela escolha de Maia, o mais popular entre eles.
Segundo um procurador ligado aos três, Norma manteve um nível de formalidade no relacionamento com o governador durante seu mandato incapaz de ter dissolvido o gelo com que começou a gestão, marcada por sinais de hostilidade desde a posse.
"O Rui (Costa) é conhecido pela frieza e até falta de polidez no trato com algumas pessoas, mas Norma nunca se esforçou para distensionar a relação com ele, que começou sob desconfiança e o signo da imposição", recorda a mesma fonte, referindo-se à estratégia da eleição que o grupo montou para a lista tríplice.
Agora, diz ele, o que relacionaram como vantagem da procuradora em relação aos outros dois colegas, que eram então apontados como bolsonaristas, pode talvez não funcionar para efeito de decisão do governador depois da eleição do dia 14.
