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Exigência de vacinação pelo Exército só ganha foro político por causa de Bolsonaro, diz Jungmann
Exigência de vacinação pelo Exército só ganha foro político por causa de Bolsonaro, diz Jungmann
Por Folhapress
07/01/2022 às 15:16
Foto: Jorge Araújo/Folhapress/Arquivo

Na avaliação do ex-ministro da Defesa e da Segurança Raul Jungmann, a orientação do comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de condicionar o retorno de militares ao trabalho presencial à vacinação contra a Covid-19 é puramente administrativa, mas ganha repercussão política pela insistência do presidente Jair Bolsonaro (PL) em tentar invadir as competências das Forças Armadas.
"O ato do comandante não é político, é administrativo, de acordo com suas responsabilidades. Se ganha foro político ao ser comunicado é porque o presidente da República busca invadir o espaço institucional das Forças Armadas. Ele vem há algum tempo fazendo bullying com elas. Do lado do comandante a decisão é correta, administrativa e no limite de suas responsabilidades", afirma Jungmann ao Painel.
O ex-ministro diz que o comandante do Exército tem o dever de proteger a tropa, especialmente no atual cenário de expansão da Covid-19 com a variante ômicron.
O cuidado com a saúde dos comandados, aponta Jungmann, está relacionada também à necessidade de ter o maior número possível de militares à disposição em 2022, ano em que as eleições marcadas pela polarização têm potencial de gerar episódios de violência.
"Se a decisão do comandante é perfeitamente lógica, evidentemente que isso, embora não tenha sido a intenção do comandante, passa a ser apropriado politicamente como se fosse uma coisa contrária à orientação do presidente da República. Não vejo isso. Acho que são medidas corretas, racionais, que visam proteger a Força, garantir o máximo de efetivo e evitar a contaminação. Se a lógica do presidente é outra, paciência", diz Jungmann.
Na visão dele, o mesmo vale para a proibição de disseminação de fake news sobre a pandemia de Covid-19.
"É uma atitude consequente para reduzir no ano eleitoral ao mínimo qualquer tipo de contágio, qualquer tipo de participação política do Exército. Quanto mais se preservar o caráter de Estado das Forças Armadas, melhor. Sabemos todos que essa participação nas fake news é o contrário disso", conclui o ex-ministro.
