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'Capitã cloroquina' coloca no Lattes presença em atos de raiz golpista de Bolsonaro

'Capitã cloroquina' coloca no Lattes presença em atos de raiz golpista de Bolsonaro

Por Fábio Zanini/Folhapress

28/01/2022 às 08:49

Foto: Jefferson Rudy/Arquivo/Agência Senado

Mayra Pinheiro

A médica Mayra Isabel Correia Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde que ganhou o apelido de "capitã cloroquina" pela recomendação de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19, incluiu em seu currículo hospedado na plataforma Lattes a participação nos atos de raiz golpista promovidos por Jair Bolsonaro (PL) no 7 de Setembro do ano passado.

A plataforma Lattes é um reservatório de currículos acadêmicos do país, no qual os pesquisadores devem listar o que têm produzido em suas áreas de atuação, como artigos, livros, cursos, etc.. Não é comum a inclusão de participação em manifestações de rua.

Mayra, que é secretária da Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, incluiu o que chamou de "Manifestações do Dia 7 de Setembro" no campo de produção técnica da plataforma, junto de entrevistas e participações em programas de televisão.

Em suas redes sociais, ela postou mensagens chamando bolsonaristas a saírem às ruas e publicou vídeos aparentemente feitos por ela durante os atos de 7 de Setembro. Ela também publicou uma mensagem em que dizia ter feito parte da multidão.

Bolsonaro passou meses convocando apoiadores para atos no 7 de Setembro, quando fez discursos com ameaças golpistas contra o STF (Supremo Tribunal Federal), exortou desobediência a decisões da Justiça e disse que só sairá morto da Presidência da República.

Seus seguidores levaram faixas e cartazes e repetiram gritos autoritários e antidemocráticos na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e na avenida Paulista, em São Paulo.

Mayra foi uma das principais responsáveis por ações pelas quais o governo federal foi bastante criticado durante a pandemia.

Ela foi um dos nomes à frente das incessantes recomendações de remédios sem eficácia contra a Covid-19, como hidroxicloroquina e cloroquina.

Partiram dela a força-tarefa de Manaus para incentivar o uso desses medicamentos durante o colapso marcado por falta de leitos e de oxigênio, o ofício que afirmava ser inadmissível a não utilização dessas drogas na capital do Amazonas e também o TrateCov, página na internet que orientava a administração de cloroquina e antibióticos até para dor de barriga de bebê.

A CPI da Covid sugeriu seu indiciamento sob acusação de epidemia com resultado morte, prevaricação e crime contra a humanidade.

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