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Operação da PF contra Ciro não foi ação política, dizem delegados críticos de Bolsonaro

Operação da PF contra Ciro não foi ação política, dizem delegados críticos de Bolsonaro

Por Folha de S. Paulo

16/12/2021 às 07:08

Atualizado em 16/12/2021 às 07:08

Foto: Reprodução

Declarações de pré-candidato a presidente foram consideradas oportunistas dentro da polícia

A chance de ter havido uma interferência ou pedido de Jair Bolsonaro na operação que realizou buscas em endereços de Ciro e Cid Gomes é praticamente zero, dizem delegados experientes, incluindo críticos do presidente e da atual gestão da PF. A leitura é a de que, desde sempre, a classe política busca teorias da conspiração para justificar investigações que sofrem, tática que encontra campo fértil sob Bolsonaro, que age há três anos no sentido de tentar fragilizar as instituições.

A investigação, sobre fatos de 2010 a 2013, teve início em 2017 e é conduzida por um delegado do Ceará, com autonomia para traçar sua linha de apuração. Não é a primeira, nem será a última, operação deflagrada sobre episódios ocorridos há muito tempo. O pedido passa pelo Judiciário, que autorizou as medidas.

Se uma interferência está descartada, também não se risca a possibilidade de ter havido excesso ou de o caso ser frágil, com poucos indícios para sustentar uma busca, o que vai ficar mais claro na medida em que os elementos do inquérito se tornarem públicos.

A cúpula da PF, por exemplo, classificou a ação como lava-jatista, no sentido, dizem eles, de ser midiática e ter escolhido diligências ostensivas antes de outras mais básicas.

A direção da polícia vetou pedido para realização de entrevista coletiva que seria realizada no Ceará sobre a operação. A proibição, segundo dirigentes, foi para evitar maior exposição e uso político da investigação.

Apesar disso, no entanto, as declarações de Ciro Gomes foram consideradas oportunistas dentro da polícia. O pré-candidato culpou o "estado policial" de Bolsonaro por ter sido alvo de buscas.

Dirigentes lembram que, como revelou o Painel, o presidente da República foi intimado nesta semana a depor no inquérito sobre vazamento e, há alguns dias, Josimar Maranhãozinho (PL-MA) sofreu buscas logo após Bolsonaro se filiar à sigla de Valdemar Costa Neto.

Investigadores afirmam que é preciso esperar os desdobramentos das medidas cumpridas nesta quarta (15) contra Ciro e família para analisar a eficácia da investida.

Há, entretanto, na PF quem defenda maior cautela dos delegados para analisar o cenário político e social em que a apuração está inserida e o impacto que ela pode ter..

Esse debate, porém, sempre esbarra na autonomia do delegado em poder conduzir seus inquéritos de acordo com o seu entendimento do que é melhor para elucidação dos fatos apurados.

As informações são da coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo.

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