Alckmin e Lula colecionam décadas de divergências; confira as principais
Por Estadão
16/12/2021 às 10:41
Atualizado em 16/12/2021 às 10:41
Foto: Marlene Bergamo e Eduardo Knapp/Folhapress

A caminho de selar uma aliança inédita e formar uma chapa conjunta para disputar a Presidência nas eleições de 2022, o ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sempre fizeram oposição um ao outro na política. As divergências entre o petista e o agora ex-tucano vêm desde quando ambos exerciam mandatos simultâneos na Câmara dos Deputados, entre 1987 e 1991, e, na Constituinte votaram de formas distintas em muitas ocasiões. À época, o Partido dos Trabalhadores, do qual Lula era líder, votou contra a aprovação da Carta.
Em entrevista no mês passado, o petista afirmou que teve uma "relação extraordinária" com Alckmin em seu governo. Em diversas ocasiões, porém, eles fizeram duras críticas e acusações um contra o outro em eventos públicos.
Relembre:
Lula sobre Alckmin: 'Projeto de desmonte'
Em 2006, quando disputou contra Alckmin o segundo turno das eleições presidenciais, o então presidente Lula disse que seu adversário era um "especialista" na destruição do Estado. "Não é uma disputa entre dois homens ou entre dois partidos. São dois projetos que estão em jogo nesta eleição. Um projeto é o do desmonte, ou seja, daquele cidadão que é especializado em destruir em dois minutos o que a gente construiu em dois séculos".
Na ocasião, Lula descreveu a candidatura do ex-tucano como a de "um cidadão que joga um monte de dinamites e consegue destruir um prédio em apenas 30 segundos”.
Lula sobre Alckmin: 'Troglodita da direita'
Em 2010, o então presidente petista comemorou o fato de Alckmin não participar daquele pleito para o Planalto. Citando as eleições de 2006, Lula afirmou que antes os candidatos de esquerda e de centro-esquerda disputavam "contra os trogloditas da direita".
O petista, à época, disse também que o nível das campanhas havia "começado a melhorar” a partir de 1994, após sua disputa contra Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Já foi um nível elevado. Mas depois, eu e o Alckmin, aí baixou o nível por causa dele", disse.
Alckmin sobre o PT: 'Em festa de jacu, inhambu não pia'
Em 2013, quando era governador de São Paulo, Alckmin recorreu a um ditado popular ao ser questionado sobre uma festa que o PT havia realizado para comemorar dez anos no comando do País. "Em festa de jacu, inhambu não pia", disse ele.
Alckmin sobre Lula: 'Lulopetismo levou o País a ser saqueado'
Já em 2016, no lançamento da candidatura de João Doria (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, Alckmin escolheu o PT como alvo de seu discurso. "Os 13 anos de lulopetismo levaram o País a ser saqueado, literalmente. O PT quer vencer a eleição para se redimir e resolver seus problemas", disse.
Depois, no mesmo evento, ao lado do ex-governador paulista, Doria acrescentou: “O PT, partido de Lula e Dilma, deixou um legado maldito".
Em 2018, quando voltou a disputar a Presidência pelo PSDB, Alckmin entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ex-presidente Lula e o diretório do PT de São Paulo.
Na ocasião, o PSDB argumentou que o PT estaria fazendo uso da propaganda dos candidatos a deputado estadual para divulgar a candidatura de Lula. A prática, segundo eles, se enquadrava no que é chamado de "invasão de horário destinado a outro cargo". Lula foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em agosto daquele ano e sua candidatura teve de ser retirada.
Em 2019, Alckmin afirmou que o Brasil estava tomado por um clima do ódio durante a gestão Bolsonaro e caracterizou o governo como um “PT de ponta-cabeça” ou um “PT ao inverso”.
O ex-tucano e Lula passaram a dialogar em julho deste ano para a construção de um acordo para 2022. Após décadas fazendo oposição um ao outro, ambos se mostraram dispostos a firmar uma aliança para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (PL) no ano que vem. O acerto, agora, depende de um acordo sobre qual partido abrigará o ex-governador. Recém-desligado do PSDB, ele tem até abril de 2022 para se filiar a um novo partido e, assim, concorrer à vice-presidência da República.
