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MPF cobrou da Anac em junho apuração de denúncia sobre avião que caiu com Marília Mendonça
MPF cobrou da Anac em junho apuração de denúncia sobre avião que caiu com Marília Mendonça
Por Estadão
05/11/2021 às 21:00
Foto: Reprodução/Super Canal

O Ministério Público Federal (MPF) em Goiás cobrou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em junho, por omissão na fiscalização de supostas irregularidades da empresa PEC Táxi Aéreo, a proprietária do aeronave que caiu nesta sexta-feira, 5, matando a cantora Marília Mendonça e mais quatro tripulantes. O avião de pequeno porte decolou de Goiânia com destino a Caratinga (MG), onde a artista faria uma apresentação esta noite. O pedido da Procuradoria tinha como base uma denúncia recebida pelo órgão, que apontava problemas técnicos na aeronave.
Em ofício ao presidente da Anac, Juliano Alcântara Noman, o procurador da República Marcello Wolff pediu que a agência se manifestasse sobre essa denúncia, que foi anexada ao processo. O texto da denúncia, cuja autoria não foi revelada, dizia ao MPF que a empresa PEC Táxi Aéreo operava com irregularidades que colocam "em risco tripulantes e passageiros".
Segundo a denúncia, realizada em maio, a aeronave com prefixo PT-ONJ "está desde o início do ano realizando voos com problemas no para-brisa, ocorrendo que o vidro fica embaçado com prejuízo visual em pousos e decolagens". Esta foi a aeronave utilizada por Marília Mendonça no voo a Minas Gerais. Conforme o texto que chegou ao MPF, o fato era conhecido pela empresa, porém ignorado.
O relato ao MPF também alega que a empresa coloca pilotos "com jornada de voo estourada para voar". No comunicado à Anac, Wolff dá o prazo de 20 dias para que a agência se manifeste acerca da manifestação, "notadamente sobre a omissão da Agência Nacional de Aviação Civil quanto ao seu dever de fiscalização de supostas irregularidades".
A aeronave usada por Marília Mendonça foi fabricada em 1984 e tinha capacidade para transportar seis pessoas, além dos pilotos. Conforme a Anac, estava com operação permitida para táxi aéreo e com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até julho de 2022. A aeronave era de pouso convencional, com dois motores turbohélice.
O avião chegou a pertencer à dupla Henrique e Juliano, que o comprou em 2017. Depois, foi vendido para a PEC Táxi Aéreo - a empresa detém a propriedade do avião desde julho de 2020.
Segundo a Anac, as investigações sobre as causas do acidente serão realizadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticas (Cenipa), do Comando da Aeronáutica. A Anac não se manifestou sobre o ofício do MPF encaminhado em junho. Procurada, a PEC Táxi Aéreo também não se posicionou.
