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Militares e líderes civis no Sudão chegam a acordo para recolocar premiê no poder

Militares e líderes civis no Sudão chegam a acordo para recolocar premiê no poder

Por Folha de S. Paulo

21/11/2021 às 16:40

Foto: Hannibal Hanschke/Reuters

Liberado de prisão domiciliar, Hamdok vai liderar governo por um período de transição

Militares do Sudão anunciaram que vão restituir o primeiro-ministro Abdalla Hamdok no poder e libertar todos os presos políticos após semanas de protestos no país. Sob um acordo assinado com o general Abdel Fattah al-Burhan, Hamdok vai liderar um governo civil de tecnocratas por um período de transição.

O premiê havia sido posto em prisão domiciliar depois de os militares tomarem o poder por meio de um golpe, em 25 de outubro, atrapalhando uma transição democrática acordada após a derrubada de Omar al-Bashir em 2019, movimento que encerrou três décadas de governo autocrático.

Hamdok afirmou ter concordado com o trato para evitar mais mortes no país. "O sangue sudanês é precioso. Vamos parar o derramamento de sangue e direcionar a energia da juventude para a construção e o desenvolvimento", disse ele. Agora, depois do pacto, os militares do Sudão tiraram as forças de segurança que ficavam do lado de fora de sua casa, segundo o gabinete do premiê à Reuters.

Mesmo com a divulgação do acordo, milhares de manifestantes marcharam em direção ao palácio presidencial em Cartum no início da tarde e pediram a queda do líder militar Abdel Fattah al-Burhan.

Com o golpe, militares dissolveram o governo de Hamdok e detiveram vários civis que ocupavam cargos importantes na divisão de poder acordada com as Forças Armadas depois que Bashir foi deposto.

A atitude dos militares desencadeou protestos em massa, e organizações médicas que apoiam os atos dizem que as forças de segurança já mataram ao menos 40 civis em repressões cada vez mais violentas.

De acordo com uma fonte próxima a Hamdok, a declaração constitucional feita entre militares e civis em 2019, depois que Bashir foi deposto, continuará sendo a base para novas negociações.?

Grupos que lideram os protestos desde o golpe exigem que os militares saiam totalmente da política. Uma declaração no domingo na página do Facebook da coalizão civil das Forças de Liberdade e Mudança (FFC), que dividia o poder com os militares, disse não reconhecer nenhum acordo com as Forças Armadas.

"Afirmamos nossa posição clara e previamente anunciada: sem negociação, sem parceria e sem legitimidade para os golpistas", disse o comunicado das FFC. "Aqueles que executaram e apoiaram o golpe devem enfrentar a Justiça", afirmaram ativistas, que convocaram a população a comparecer aos protestos antimilitares realizados neste domingo. As potências ocidentais que apoiaram a transição política do Sudão condenaram o golpe e suspenderam parte da assistência econômica ao país.

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