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Governadores preparam ação no STF para garantir pagamentos caso PEC dos Precatórios for aprovada
Governadores preparam ação no STF para garantir pagamentos caso PEC dos Precatórios for aprovada
Por Estadão
24/11/2021 às 20:14
Atualizado em 24/11/2021 às 20:14
Foto: Reprodução/Facebook/Arquivo | Montagem: Política Livre

Governadores de Estados que esperam o pagamento de dívidas ligadas ao antigo Fundef (fundo de financiamento à educação básica anterior ao Fundeb) preparam uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir os repasses em 2022 se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios for aprovada como está.
A pressão de governadores se soma a uma articulação no Senado para tirar os precatórios do Fundef do teto de gastos, a regra que impede que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação. Os pagamentos previstos para essas dívidas em 2022 somam cerca de R$ 16 bilhões. O argumento é que, como os repasses do fundo estão fora do teto, as sentenças judiciais derivadas desse financiamento também poderiam ficar fora da limitação.
Técnicos e parlamentares do Congresso questionam a possibilidade de o limite para pagamento de precatórios imposto pela PEC acabar inviabilizando os repasses ligados ao antigo Fundef. Com a limitação das despesas com sentenças judiciais, os precatórios preferenciais poderiam ocupar todo o subteto estabelecido.
A consultoria de Orçamento da Câmara aponta um risco de os precatórios do Fundef não serem pagos se houver aumento dos chamados precatórios "superpreferenciais". Conforme a PEC, os Estados deverão receber 40% dos precatórios do Fundef em 2022, o que equivale a um total de R$ 6,5 bilhões. Os beneficiados são Bahia, Ceará, Pernambuco e Amazonas. Bahia e Ceará são os que têm a maior parte para receber e atualmente são governados por opositores do presidente Jair Bolsonaro.
Na proposta, o pagamento das sentenças judiciais ficará limitado a R$ 40,4 bilhões, mas os valores serão repassados prioritariamente para as requisições de pequeno valor (RPV), calculadas em R$ 20,5 bilhões, e aos chamados precatórios superpreferenciais (idosos, pessoas com deficiência e portadores de doença grave). O pagamento dos 40% do Fundef só estará garantido se as despesas superpreferenciais não excederem R$ 13,9 bilhões no próximo ano, diz a consultoria.
Cálculos do governo da Bahia demonstram que o pagamento com as requisições de pequeno valor somam R$ 26 bilhões em 2022, ou seja, comprometendo ainda mais os repasses para o Fundef. Há pressão para a transferência desses recursos, pois 60% é direcionado para professores. "Se não tirar os precatórios do Fundef do teto, o governo não tem votos para aprovar a PEC no Senado", disse o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa, Otto Alencar (BA).
Mais cedo, o líder do governo e relator da PEC no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), prometeu buscar números e informações para convencer os senadores do PSD de que é possível garantir os precatórios do antigo Fundef com os limites da PEC. Uma nova reunião entre Bezerra e a bancada do PSD, a segunda maior da Casa, deve ocorrer na próxima segunda-feira, 29.
