Foto: Sandro Pereira/Folhapress

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, divulgou na tarde deste domingo, 21, o tema da Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021. Candidatos terão de escrever sobre "Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil". A aplicação do primeiro dia começou às 13h30 e deve seguir até as 19 horas deste domingo, 21. Além da Redação, os candidatos respondem a questões de Linguagens e Ciências Humanas.
A proposta de Redação é acompanhada de textos de apoio aos candidatos, que ainda não foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pela prova. Professores de Língua Portuguesa elogiaram a proposta.
"É um tema considerado tranquilo para os alunos e é uma importante discussão já que muitas pessoas não conseguem ter acesso ao registro civil ainda. Falamos em analfabetismo digital, desemprego, sendo que muitas pessoas não conseguem ter acesso a direitos mais básicos porque não são reconhecidas pelo Estado", diz Thiago Braga, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH.
Já o professor Sérgio Paganim, diretor pedagógico do Curso Anglo, considerou o tema trabalhoso para os candidatos, mas importante. "(O candidato) pode pensar na força do Estado para incentivar e promover o registro civil. E, na ponta dos efeitos, pode pensar na distorção dos dados públicos que são fundados nos dados dos cartórios."
Como opções de abordagem pelos candidatos, Paganim cita problemas relacionados a políticas públicas, reféns da ausência de registros. "E a própria inserção social que depende desses registros e fica prejudicada."
O Enem 2021 tem medidas de segurança contra a covid- 19. Assim como na edição de 2020, o uso de máscara facial é obrigatório desde a entrada até a saída do local de provas. Participantes que estejam com covid-19 ou com outras doenças infectocontagiosas não devem comparecer ao exame e podem solicitar a reaplicação na Página do Participante.
Exame ocorre em meio à crise no Inep
No próximo domingo, 28, os participantes fazem as provas de matemática e ciências da natureza. A aplicação do Enem deste ocorre em meio a uma crise no Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza o exame. Trinta e sete coordenadores pediram demissão coletiva neste mês, o que expôs a instabilidade no órgão.
Somou-se a esse cenário a declaração do presidente Jair Bolsonaro, que disse que a prova estava começando a ter a sua cara. O Estadão revelou na semana passada que, em uma intervenção inédita, a gestão federal selecionou questões e quis driblar regras de acesso ao conteúdo da prova.
O exame é aplicado neste domingo para 3,1 milhões de estudantes que tiveram a inscrição confirmada. É o menor número de participantes desde o ano de 2005, o que expôs a dificuldade de acesso igualitário à educação em um ano marcado pela pandemia e pelo agravamento das condições socioeconômicas.
