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Deputados do PDT dizem que cúpula sabia de acordo na PEC e veem reação desmedida de Ciro

Deputados do PDT dizem que cúpula sabia de acordo na PEC e veem reação desmedida de Ciro

Por Camila Mattoso, Folhapress

04/11/2021 às 16:21

Atualizado em 04/11/2021 às 16:24

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress/Arquivo

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) durante entrevista ao programa de entrevistas da Folha

A suspensão da pré-candidatura à Presidência por Ciro Gomes após apoio de parte da bancada do PDT à PEC dos Precatórios foi classificada como uma reação desproporcional por deputados do partido.

Pedetistas relataram ao Painel que a cúpula do partido e a família Gomes sabiam da negociação e indicaram o apoio dos deputados do Ceará como prova do conhecimento.

O apoio foi fundamental para aprovação em 1º turno da PEC. A votação foi apertada e o governo conseguiu apenas 4 votos a mais que os 308 necessários.

A articulação com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi feita pelo líder do PDT, Wolney Queiroz (PE), e André Figueiredo (CE).

A negociação envolveu um prazo menor para o pagamento dos precatórios da educação, de 10 para 3 anos. A mudança foi defendida por governadores de Pernambuco e Ceará, que pressionaram seus deputados.

O deputado Paulo Ramos (RJ), um dos pedetistas contrários à PEC, disse ao Painel que uma reunião da bancada às 18h30 na quarta (3) serviu para o partido informar sobre o voto favorável.

No encontro, diz Ramos, todos deputados cearenses estavam presentes.

"Não acredito que eles não tenham conversado com o Ciro Gomes, porque se eles fizeram isso é muito mais condenável", afirmou.

Segundo o deputado, o encontro passou a impressão aos deputados que "tudo estava articulado com o Ciro e com a cúpula do partido".

"Como a bancada do Ceará estava apoiando toda a articulação com o Arthur Lira, obviamente passou pela minha cabeça de todo mundo que o Ciro Gomes tinha ciência", disse.

Boa parte da bancada do PDT se reuniu com Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro, após um evento no Senado Federal no final da tarde.

Pedetistas presentes no encontro relatam que o senador se manifestou contra a PEC, mas teria sinalizado compreensão sobre a necessidade de diminuir o tempo dos precatórios da educação.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, foi informado do acordo para apoiar a proposta pelo líder da bancada.

Nesta quinta (4), Lupi divulgou uma nota para informar que o partido vai ao Supremo Tribunal Federal contra a manobra de Arthur Lira que liberou o voto remoto.

Um pedetista do Ceará relatou que a negociação também envolveria o apoio do PSB, que não seguiu o PDT na última e orientou o voto contra.

Após o recuo dos socialistas, segundo relatos, o que mais pesou para os deputados do PDT foi a pressão de governadores, em especial da região nordeste, que têm interesse na PEC.

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