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Alckmin não rechaça ser vice de Lula e diz que é preciso amadurecer conversas

Alckmin não rechaça ser vice de Lula e diz que é preciso amadurecer conversas

Por Joelmir Tavares / Folha de São Paulo

12/11/2021 às 19:02

Atualizado em 12/11/2021 às 19:02

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Ex-governador afirmou que petista tem 'apreço pela democracia' e que não vai demorar a decidir seu futuro político

O ex-governador Geraldo Alckmin (de saída do PSDB) manteve em aberto nesta sexta-feira (12) a possibilidade de um acordo para ser candidato a vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2022, ao indicar que não rechaça a hipótese.

A existência das conversas foi antecipada pela coluna Mônica Bergamo. Adversário histórico do PT, Alckmin, que também é pré-candidato ao Governo de São Paulo, retribuiu as gentilezas que têm sido difundidas por emissários do partido e elogiou o "apreço pela democracia" do ex-presidente.

"Já disseram que eu vou ser candidato a senador, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Fico muito honrado com a lembrança do meu nome", disse ele a jornalistas, após participar de uma gravação ao lado do presidenciável Ciro Gomes (PDT), a convite do ex-governador Márcio França (PSB).

"Tenho um grande carinho e confiança pelo Márcio França. Vamos amadurecer [as conversas] e depois a gente vai conversando", prosseguiu, confirmando que tem mantido tratativas com líderes de vários partidos sobre seu futuro após a saída de cena com sua derrota na eleição presidencial de 2018.

Ao seu estilo, Alckmin foi genérico ao comentar o assunto Lula, mas acrescentou: "A política precisa ser feita com civilidade, com quem tem apreço à democracia. Em relação a candidaturas, a decisão não é agora, não é já".

Em seguida, indagado se o petista preencheria os predicados que ele citou, o ex-governador respondeu: "É claro que tem [apreço à democracia], não só ele".

Alckmin tem evitado dar pistas sobre seu destino partidário e até mesmo sobre a data em que pedirá desfiliação do PSDB —se antes ou depois das prévias do partido para escolher o pré-candidato à Presidência, polarizadas entre seu ex-aliado João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS).

O quase ex-tucano, que negocia ingressar no PSD, no PSB ou no União Brasil (futuro partido a ser criado com a fusão entre DEM e PSL), disse nesta sexta que está vivendo um tempo de ouvir e de fazer reflexões. Nos bastidores, contudo, ele e seus aliados mantêm negociações avançadas.

"A eleição não é mês que vem", resumiu, diante da ansiedade dos repórteres, para na sequência falar que uma decisão sobre seus próximos passos "não vai demorar muito não".

Na semana passada, quando já circulavam os rumores de uma possível parceria com Lula, o ex-governador afirmou em uma rede social que "muitas especulações têm surgido nos últimos dias" sobre seu futuro político e que ele segue "percorrendo São Paulo e pensando nos problemas da nossa gente".

A possível chapa mudaria o quadro também em São Paulo. Alckmin hoje é quem lidera a disputa pelo governo estadual, com 26% das intenções de voto, segundo o Datafolha. O petista Fernando Haddad aparece em segundo lugar, com 17%, mas salta para 23% em um cenário sem o ex-governador.

Alckmin e Ciro foram convidados por França para serem jurados de um reality show que o ex-governador —e também pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes— criou para suas redes sociais chamado "O Político", para escolher um jovem com perfil para ser candidato.

A gravação, em que os dois veteranos políticos deram dicas aos competidores do programa e avaliaram o desempenho deles em um debate sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19, ocorreu no Teatro Comedy Sampa, na Vila Mariana (zona sul da capital paulista).

Ao sair do local, após desfiar críticas aos rivais Jair Bolsonaro (a caminho do PL) e Sergio Moro (Podemos) e falar de suas articulações para se fortalecer na disputa, Ciro foi questionado sobre sua opinião a respeito da hipótese de Alckmin se aliar ao PT.

O pedetista, que tem Lula como um dos alvos de sua pré-campanha e se dá bem com o ex-governador paulista (ambos nasceram em Pindamonhangaba), afirmou: "Eu não sou uma pessoa de dar muita opinião, não. Mas, se eu fosse perguntado por ele [Alckmin], dizia: 'Sai fora, rapaz'".

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