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Lira usa emendas e reação à Lava Jato para se consolidar e ser favorito até sob Lula
Lira usa emendas e reação à Lava Jato para se consolidar e ser favorito até sob Lula
Por Ranier Bragon e Danielle Brant / Folhapress
30/10/2021 às 07:25
Atualizado em 30/10/2021 às 07:25
Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados / Arquivo

Principal aliado de Jair Bolsonaro (sem partido) no Legislativo, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) é apontado por governistas e opositores, por ora, como o favorito para vencer a disputa de fevereiro de 2023 e seguir no comando da Câmara, mesmo sob um possível terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Articulador do centrão, Lira tem como maior trunfo o controle sobre a distribuição de bilionárias verbas das emendas parlamentares. Além disso, lidera ao lado da oposição a reação do mundo político à Lava Jato.
A avaliação de parlamentares aliados e da oposição é a de que, a não ser que haja uma reconfiguração relevante de poder das bancadas nas eleições de 2022, o centrão continuará tendo papel fundamental no Congresso, independentemente de quem seja eleito para a Presidência da República. E, dentro do centrão ou fora dele, não há hoje nome que rivalize com Lira, cuja candidatura à reeleição é tida como certa no mundo político.
O deputado do PP foi eleito em fevereiro deste ano com o apoio de Bolsonaro. Em sua gestão, centralizou em torno de si a distribuição a deputados das emendas parlamentares a cargo do relator-geral do Orçamento. Diferentemente das emendas individuais e coletivas, cuja distribuição é igualitária e a execução, obrigatória, as emendas de relator (que têm a rubrica RP-9) são divididas mediante critérios políticos e muito pouco transparentes.
Elas passaram a valer em 2020. Naquele ano, foram R$ 20 bilhões. Em 2021, ficaram em R$ 16,8 bilhões. O valor para o ano que vem ainda não está definido. A previsão atual é de R$ 16 bilhões, mas o centrão trabalha para inflar a rubrica. "Lira é o favorito porque controla um orçamento de R$ 11 bilhões [a RP-9 é dividida entre Câmara e Senado] de investimento. Nenhum candidato a presidente tem esse cacife. É loucura enfrentar", afirma Elmar Nascimento (DEM-BA), segundo quem esse favoritismo se dará sob Bolsonaro, Lula ou qualquer outro vencedor da disputa em 2022.
De acordo com a última pesquisa do Datafolha, de setembro, Lula lidera a corrida presidencial com 44% das intenções de voto. Bolsonaro tem 26%. "O presidente eleito em 2022 vai conviver com ele [Lira] por pelo menos 30 dias [a posse presidencial é em 1º de janeiro de 2023. A eleição na Câmara é em 1º de fevereiro]. Então, é melhor sentar e ajustar do que enfrentar. Nenhum candidato de direita ou de esquerda terá maioria na eleição da Câmara. Será um candidato do centro, que é onde ele [Lira] opera e tem muita força", diz Elmar.
