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Inflação para mais pobres encosta em 11% no acumulado de 12 meses

Inflação para mais pobres encosta em 11% no acumulado de 12 meses

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

15/10/2021 às 10:39

Foto: Tânia Rego/Arquivo/Agência Brasil

Inflação para mais pobres encosta em 11% no acumulado de 12 meses

A inflação acelerou em setembro no Brasil e voltou a atingir com maior força o bolso dos mais pobres, aponta estudo divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O levantamento divide a população em seis faixas de renda. No mês passado, todas as camadas pesquisadas viram a inflação acelerar para 1% ou mais. A questão é que as famílias mais pobres amargaram, novamente, um aumento superior nos preços.

A situação preocupa porque essa camada tem menos condições financeiras para lidar com a carestia de itens básicos para o dia a dia. Entre eles, estão alimentos, energia elétrica e gás de cozinha.

Em setembro, a inflação para as famílias com renda considerada muito baixa chegou a 1,30%, o maior avanço entre as faixas pesquisadas. O grupo é formado por brasileiros cujo rendimento domiciliar fica abaixo de R$ 1.808,79 por mês.

Com o resultado de setembro, a inflação para os mais pobres chegou a 10,98% no acumulado de 12 meses. Também é a maior alta entre os seis grupos investigados.

A título de comparação, a inflação para as famílias com renda considerada alta foi de 1,09% em setembro. No acumulado de 12 meses, a variação dos preços atingiu 8,91% para os mais ricos.

O grupo é composto por famílias com renda domiciliar acima de R$ 17.764,49.

Segundo o Ipea, as famílias com rendimento mais baixo foram impactadas, sobretudo, pelo aumento nos preços do setor de habitação em setembro.

Dentro desse segmento, houve reajustes de 6,5% nas tarifas de energia elétrica, de 3,9% no gás de botijão e de 1,1% nos artigos de limpeza.

O bolso dos mais pobres também foi pressionado, ainda que em menor medida, pela alta nos alimentos no domicílio. Frutas (5,4%), aves e ovos (4%) e leites e derivados (1,6%) fazem parte dessa lista.

Para as camadas com renda maior, o principal foco inflacionário em setembro veio do setor de transportes.

No mês passado, esse ramo de produtos e serviços teve o efeito dos reajustes de 2,3% na gasolina, de 28,2% nas passagens aéreas e de 9,2% nos transportes por aplicativo.

Com orçamento bem mais restrito, os mais pobres acabam direcionando seu dinheiro especialmente para despesas como alimentação em casa, energia elétrica, gás de cozinha e aluguel.

Ao longo da pandemia, esses itens ficaram mais caros, o que ajuda a entender a escalada inflacionária maior entre as famílias com renda inferior.

O estudo do Ipea ainda traz o recorte do aumento de preços no acumulado do ano, entre janeiro e setembro.

Nessa comparação, as famílias com renda média-baixa (entre R$ 2.702,88 e R$ 4.506,47) registraram a maior alta inflacionária. O avanço foi de 7,23%.

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