Governo pede 'uso consciente' de luz, mas consumo da Presidência sobe 5,2%
Por Thaís Augusto, Folhapress
13/10/2021 às 16:37
Foto: Beto Barata/PR/Arquivo

O consumo de energia da Presidência da República subiu 5,2% entre junho e agosto de 2021, na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o governo federal pedia o "uso consciente" de luz aos consumidores e citava o ferro de passar como exemplo de equipamento a ser evitado.
Entre junho e agosto de 2020, o consumo dos prédios ligados à Presidência foi de 2.219.442 kWh (quilowatt-hora), mas, com a alta de 5,2% em 2021, o consumo passou a 2.335.881 kWh. As informações foram obtidas no portal Dados Abertos.
A Presidência da República inclui o complexo do Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente, e as residências oficiais localizadas no Palácio da Alvorada e Granja do Torto.
Em 28 de junho, durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, "convidou" a população a fazer um esforço, evitando o desperdício no consumo de energia.
"Para aumentar nossa segurança energética, é fundamental que, além dos setores do comércio, de serviços e da indústria, a sociedade brasileira participe desse esforço, evitando desperdícios no consumo de energia elétrica. Com isso, conseguiremos minimizar os impactos no dia a dia da população."
Dois meses depois, o ministro admitiu o agravamento da crise elétrica e exemplificou aos consumidores como eles poderiam ajudar: "Desligando luzes e aparelhos que não estão em uso, aproveitando mais a luz natural, reduzindo a utilização de equipamentos que consomem muita energia como chuveiros elétricos, condicionadores de ar e ferros de passar".
Em setembro, foi a vez do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazer um apelo. Em live transmitida pelas redes sociais, ele pediu que a população "apague uma luz em casa" para economizar energia, sugeriu que as pessoas tomem banho frio, além de evitar o uso de elevadores.
O aumento na tarifa de luz, e a criação da bandeira de escassez hídrica, também impactou nas contas da Presidência —a nova bandeira da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), cobra R$ 14,20 por 100 kWh.
Entre junho e agosto de 2021, a Presidência gastou mais de R$ 1,97 milhão com energia elétrica, uma alta de 18% se comparado ao valor de R$ 1,67 milhão do mesmo período de 2020.?
