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E os Anões do Orçamento eram fichinha, por Raul Monteiro*

E os Anões do Orçamento eram fichinha, por Raul Monteiro*

Por Raul Monteiro*

28/10/2021 às 08:13

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jair Bolsonaro entregou o Orçamento da União ao Centrão

A CPI da Covid muito apropriadamente indiciou um sem número de figuras que se associaram ao estranho projeto de 'enfrentamento' à pandemia do presidente que diz que a vacina contra o novo coronavírus causa Aids. Mas deveria ter incluído no mesmo rol todos os auxiliares e ministros que, por estarem nesta administração, lamentavelmente, demonstram compactuar com os valores deste assim chamado governo. Isso mesmo! Em maior ou menor grau, são todos cúmplices da provavelmente pior gestão que o país já registrou em sua história recente, incluindo à do equívoco conhecido como Dilma Rousseff, pelo qual o PT não conseguirá expiar seus pecados tão cedo.

Uma administração que aposta no descontrole fiscal para financiar suas loucuras, entre as quais a concessão de um bolsa-família que não pode pagar, concebido com o nítido propósito de comprar votos dos miseráveis, e incentiva ao mesmo tempo a elevação do dólar e da inflação, domada, como se sabe, à custa de um doloroso e histórico sacrifício da população brasileira, não merece se prolongar, e deveria marchar célere, ao menos pelo que se espera, em condições normais de temperatura e pressão, para a mais completa reprovação nas urnas no ano eleitoral de 2022, sob pena de continuar ampliando seu rastro de destruição.

É o mesmo governo que abriu mão de executar políticas públicas, cortando indiscriminadamente recursos de Ministérios e setores importantes, e concedendo, em contrapartida, ao inescrupuloso Centrão o direito de capturar ao seu bel prazer o Orçamento da União, o que vem permitindo que cada parlamentar fisiológico faça curiosamente seu próprio orçamento por meio da manipulação escancarada das emendas, em sua quase totalidade, alocadas paraquialmente em seus municípios. Aliás, o uso que se faz hoje do expediente, com nítido enriquecimento pessoal de alguns, faz lembrar o episódio dos Anões do Orçamento.

Como diz um parlamentar baiano à coluna, horrorizado com o que assiste hoje no Congresso, o que acontece atualmente na Câmara dos Deputados envolvendo as emendas ao Orçamento por parte de alguns parlamentares da base do governo é algo de rebaixar à condição de fichinha os chamados "Anões do Orçamento", a conhecida turma de congressistas que, no final dos anos 80, foi descoberta e investigada depois de praticar as mais variadas fraudes com recursos públicos. Na época, foram acusados pela CPI dos Anões do Orçamento de terem roubado R$ 100 milhões, um valor inocente perto do que se sabe que alguns deputados têm conseguido manipular hoje na Casa.

O título de Anões deveu-se não apenas à baixa estatura física da maioria dos integrantes do grupo, como ao fato de pertencerem, em grande parte, ao baixo clero, mas bem poderia ter sido empregado para definir sua falta de tamanho moral. Na época, foram investigados 37 parlamentares por suposto envolvimento em esquemas de fraudes na Comissão de Orçamento do Congresso Nacional e o relatório final do deputado Roberto Magalhães (PFL-PE) chegou a pedir a cassação de 18 deles, mas apenas seis perderam seus mandatos. Apontado como líder do grupo, o baiano João Alves, que renunciaria, justificou a fortuna dizendo que ganhara dezenas de vezes na loteria.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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