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Lobista diz que não é “foragido da CPI” e que vai prestar depoimento

Lobista diz que não é “foragido da CPI” e que vai prestar depoimento

Por Julia Affonso e Fausto Macedo, Arquivo

06/09/2021 às 17:36

Atualizado em 06/09/2021 às 19:50

Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo

Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, no Senado

O lobista Marconny Albernaz de Faria, investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, afirmou nesta segunda-feira, 6, que vai ao Senado nesta semana para confirmar sua convocação para depor e seu “desejo de prestar todos os esclarecimentos”. Faria faltou ao depoimento que estava marcado para a quinta-feira, 2.

Ele enviou um atestado à CPI, informando que estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Segundo a comissão, o lobista recebeu um atestado médico para 20 dias por “dor pélvica”. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que Faria é “o senhor de todos os lobbies” no Ministério da Saúde.

Em longa nota, o lobista afirmou que não é “um foragido da CPI”. “Sequer fui intimado. Estou à disposição da comissão para prestar depoimento na data designada”, disse Faria.

“Esta semana mesmo comparecerei ao Senado para confirmar minha convocação e meu desejo de prestar todos os esclarecimentos à CPI.”

A defesa de Marconny Faria chegou a ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir um aval para que ele pudesse faltar à oitiva. A ministra Cármen Lúcia permitiu, em sua decisão, que o lobista ficasse em silêncio, mas o obrigou a comparecer ao depoimento.

O nome do Marconny Albernaz de Faria surgiu na CPI após o Ministério Público Federal, no Pará, compartilhar dados do celular dele com os senadores. O aparelho telefônico do lobista foi apreendido em outubro do ano passado. Ele afirmou, na nota, que seu sigilo foi quebrado “sem qualquer autorização judicial”.

“Estão divulgando indevidamente e conversas distorcidas a mim atribuídas”, disse. “Foram feitas distorções maldosas em relação às referências aos nomes da advogada Karina Kufa e Ana Cristina Valle (Ana Bolsonaro).”

As mensagens do celular de Faria mostram que ele conversava o com pessoas próximas do presidente Jair Bolsonaro, como as advogadas Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro, e Karina Kufa, que defende o presidente. Ele disse que “as duas não tiveram qualquer participação” em suas atividades profissionais.

Faria ajudou Jair Renan Bolsonaro, quarto filho do presidente a abrir uma empresa de eventos no ano passado, segundo mensagens de seu telefone.

Em outras conversas, ele e o empresário José Ricardo Santana, ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), falaram sobre como destravar uma contratação de 12 milhões de testes de covid-19 entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa Medicamentos. O processo não foi adiante.

O lobista negou ainda ter intermediado uma venda de vacinas para o Ministério da Saúde, “com o objetivo de ganhar R$ 5 por dose”. Ele declarou não ter negociado imunizantes com a pasta ou “com qualquer outra área do governo federal”.

“Quando nem ainda existiam vacinas para o Covid-19, conversei com uma colega, em maio do ano passado, sobre a possibilidade de viabilizar a venda de testes de covid entre entidades privadas”, afirmou.

“Ela obteve o meu telefone com uma conhecida e me mandou algumas mensagens. Queria saber se poderíamos fazer parcerias com entes privados. As tratativas, se fossem levadas adiante, poderiam gerar uma taxa de sucesso, proporcional ao volume de negócios e ao nosso trabalho.”

Segundo o lobista, “isso não dá o direito a ninguém de fazer acusações inverídicas”. Ele declarou que “não há qualquer referência nos diálogos a dinheiro público” e que “não há qualquer irregularidade nas tratativas entre as duas partes”.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE MARCONNY ALBERNAZ DE FARIA

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Diante das publicações de inverdades relacionadas à minha pessoa, inclusive que eu teria feito intermediação da venda de vacinas para o Ministério da Saúde, com o objetivo de ganhar R$ 5,00 por dose, sinto-me no dever de prestar os seguintes esclarecimentos:

Não negociei vacinas com o Ministério da Saúde ou com qualquer outra área do governo federal.

Quando nem ainda existiam vacinas para o COVID-19, conversei com uma colega, em maio do ano passado, sobre a possibilidade de viabilizar a venda de testes de covid entre entidades privadas.

Ela obteve o meu telefone com uma conhecida e me mandou algumas mensagens. Queria saber se poderíamos fazer parcerias com entes privados.

As tratativas, se fossem levadas adiante, poderiam gerar uma taxa de sucesso, proporcional ao volume de negócios e ao nosso trabalho.

Isso não dá o direito a ninguém de fazer acusações inverídicas. Não há qualquer referência nos diálogos a dinheiro público. Não há qualquer irregularidade nas tratativas entre as duas partes.

Com base em medida ilegal que apreendeu meu telefone celular em outubro de 2020, sem qualquer autorização judicial para a quebra do meu sigilo, estão divulgando indevidamente e conversas distorcidas a mim atribuídas.

Foram feitas distorções maldosas em relação às referências aos nomes da advogada Karina Kufa e Ana Cristina Valle (Ana Bolsonaro).

As duas não tiveram qualquer participação nas minhas atividades profissionais.

Também não é verdade que eu sou um “foragido” da CPI. Sequer fui intimado. Estou à disposição da comissão para prestar depoimento na data designada.

Esta semana mesmo comparecerei ao Senado para confirmar minha convocação e meu desejo de prestar todos os esclarecimentos à CPI.

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