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Isolamento marca geração de militares que chegou ao poder com Bolsonaro, diz pesquisador
Isolamento marca geração de militares que chegou ao poder com Bolsonaro, diz pesquisador
Por Ricardo Balthazar / Folha de São Paulo
25/09/2021 às 16:20
Foto: Marcelo Freire/Divulgação

O isolamento é uma marca distintiva da geração de militares que chegou ao poder com a ascensão de Jair Bolsonaro, diz o antropólogo Celso Castro, professor da Fundação Getúlio Vargas e autor de um estudo pioneiro sobre a formação dos militares brasileiros que está sendo relançado.
Para o pesquisador, esse isolamento contribuiu para afastar os militares de outros setores da sociedade durante boa parte de suas carreiras e alimentou incompreensões. "O mundo civil é quase uma ficção para eles", afirma Castro. "Essa separação não existe na realidade, mas para eles é clara."
Filho de um coronel do Exército, Castro escolheu a formação dos militares como tema de seu mestrado e fez pesquisas e entrevistas com cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras de 1987 a 1988. O livro "O Espírito Militar" foi relançado pelo selo Zahar neste mês, em edição revista e ampliada.
Bolsonaro saiu da Aman em 1977 e deixou o Exército em 1988 como capitão reformado, após ser absolvido pelo Superior Tribunal Militar num caso em que foi acusado de planejar um atentado terrorista. O vice-presidente Hamilton Mourão e vários ministros do governo se formaram na mesma época.
Diretor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Castro ajudou a organizar vários livros sobre a memória da ditadura militar (19864-1985) e publicou neste ano uma longa entrevista com o general da reserva Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército de 2015 a 2019.
Para Castro, a decisão de Villas Bôas de se manifestar no Twitter antes do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018 marcou o fim de um longo período de afastamento dos militares da política e abriu caminho para seu envolvimento com o governo Bolsonaro.
