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Após bater em R$ 5,31 na máxima, dólar fecha em alta de 0,3%; Bolsa cai 1,25%

Após bater em R$ 5,31 na máxima, dólar fecha em alta de 0,3%; Bolsa cai 1,25%

Por Estadão Conteúdo

08/07/2021 às 18:15

Atualizado em 08/07/2021 às 18:15

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar bate em R$ 5,31 na máxima desta quinta-feira, 8

O cenário pouco favorável aqui e no exterior, com os investidores monitorando o risco político e os desdobramentos em torno da proposta de reforma do Imposto de Renda, fez o dólar bater em R$ 5,31 na máxima desta quinta-feira, 8. No final do pregão, após intervenção do Banco Central, a moeda fechou com alta mais amena, de 0,29%, cotada a R$ 5,2554. O clima de aversão aos riscos também afetou a Bolsa Brasileira (B3), hoje em queda de 1,25%, aos 125.427,77.

Segundo operadores do mercado financeiro e economistas, o avanço do dólar se deu diante do fluxo elevado de saídas de capitais do Brasil, principalmente diante do risco político acentuado dos últimos dias. Depois de bater em R$ 5,3133 - uma alta de 1,39%, o Banco Central anunciou leilão de venda de US$ 500 milhões, ajudando a aliviar um pouco a pressão. Com isso também, o real deixou de ter o pior desempenho entre as moedas de países emergentes, dando lugar ao peso chileno.

Antes dessa intervenção, as cotações do dólar desaceleraram ante o real em meio à ampliação da queda do índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante seis pares fortes, como euro e iene, diante do fortalecimento do euro, após a presidente do Banco Central Europeu falar sobre a reestruturação do programa de política monetária da instituição e deixar claro que a economia europeia precisa de mais estímulos.

No Brasil, o mercado acompanhou ainda os desdobramentos do conflito entre Forças Armadas e o Senado. O estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus, diz ainda que as críticas do presidente Jair Bolsonaro aos membros do STF, principalmente ao ministro Luis Roberto Barroso, demonstram que os três poderes estão totalmente desalinhados, gerando instabilidade política e dúvidas sobre o andamento das reformas. "Vamos acompanhar os próximos passos da crise e como será gerenciada para avaliar os riscos à governabilidade."

A CPI da Covid também fica no radar, principalmente após o envio de uma carta a Bolsonaro cobrando uma posição sobre as acusações feitas pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) contra o governo. Durante conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro renovou hoje as críticas à CPI, e acusou Omar Aziz, sem provas, de ter desviado R$ 260 milhões do Amazonas. Aziz rebateu dizendo que Bolsonaro já deve ter mandado "agentes de informação" levantar dados contra ele.

Nesse ambiente, o IPCA de junho, que desacelerou para 0,53%, depois da alta de 0,83% em maio, ficou em segundo plano. O operador Hideaki Iha, da corretora Fair, diz que "deu uma acalmada, depois da puxada às máximas com ajuda do leilão do BC e o enfraquecimento do dólar no exterior". "O mercado, agora, aguarda o desenrolar da tensão política interna", avalia.

Já segundo levantamento feito pela corretora XP Investimentos e Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem que tinha sobre Bolsonaro. Se o primeiro turno fosse hoje, Lula teria 38% das intenções de voto contra 26% que disseram votar no atual presidente.

A pesquisa mostra ainda um salto na avaliação ruim/péssimo do governo Bolsonaro. Essa avaliação pulou de 31% em outubro de 2020 para 52% neste mês. Já a avaliação boa ou ótima caiu de 39% para 25% na mesma base de comparação.

Bolsa

A Bolsa voltou a precificar hoje a proposta de reforma do Imposto de Renda de taxar os dividendos distribuídos pelas empresas em 20% e acabar com os Juros sobre Capital Próprio (JCP). Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, almoçou com um grande grupo de empresários em São Paulo para discutir o projeto.

O ministro busca apoio de todos os setores da economia para convencer o Congresso a cortar até R$ 40 bilhões em subsídios a poucos conglomerados em troca de uma redução de até 10 pontos porcentuais no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) para todas as empresas do País. A proposta original de reforma prevê uma queda de apenas 5 p.p. no tributo.

O dia negativo no exterior também afetou o mercado financeiro. O temor é de que a variante Delta de coronavírus ganhe força no mundo, de forma a comprometer a recuperação econômica em andamento. Um indício considerável em relação a essa percepção veio hoje da China. O país, que vinha se destacando pelo ritmo de recuperação acelerado, virou fonte de dúvidas depois que o governo sinalizou possível relaxamento monetário, em um momento em que se esperava redução de estímulos.

Os mercados acionários na Europa e nos EUA, que já estavam em queda, aprofundaram as perdas após a notícia do governo chinês. "De certa forma, indica uma preocupação com o enfraquecimento da economia, e coloca mais lenha na fogueira nessas preocupações com a recuperação da economia global", avalia, em nota, Jennie Li, estrategista de ações da XP.

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram 0,75%, 0,86% e 0,72%. As Bolsas europeias e asiáticas fecharam com forte queda hoje. Na semana, o Ibovespa acumula queda de 1,77%.

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