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Wagner é um dos políticos mais jovens que eu conheço, diz novo secretário de Relações Institucionais do governo
Wagner é um dos políticos mais jovens que eu conheço, diz novo secretário de Relações Institucionais do governo
Por Mateus Soares
30/05/2021 às 09:17
Atualizado em 30/05/2021 às 09:17
Foto: Reprodução/Facebook/Arquivo

Novo titular da Secretaria de Relações Institucionais (Serin) do governo de Rui Costa (PT), Luiz Caetano admite que a articulação política do governo Rui Costa (PT) deixou a desejar durante o período da pandemia da Covid-19.
No entanto, segundo ele, apesar dos pesares, o atual inquilino do Palácio de Ondina não saiu prejudicado, já que aparece bem avaliado no Estado, com mais de 70% de aprovação.
"Se tem 78% é porque o governo está bom, não é?", argumenta Caetano, um dos políticos mais experientes do PT baiano.
Na Serin, Caetano acredita que o foco principal será desobstruir eventuais canais de comunicação com a classe política - o que deve contribuir imensamente com o projeto do senador Jaques Wagner, que voltará a concorrer ao governo do Estado em 2022 pelo PT.
"A pré-candidatura de Wagner é um processo a se fazer junto com os partidos, mas o foco central é esse, montar essa articulação", antecipa.
Questionado sobre o que o ex-governador irá apresentar ao eleitorado para contrapor à novidade da virtual candidatura de ACM Neto (DEM), Caetano é sucinto e direto: "Wagner é um dos políticos mais jovens que eu conheço. Ele está se renovando a cada instante".
E completa: Não estamos preocupados com adversários nem com quem vai ser - se é A, B, C ou D".
Já a respeito da política nacional, o secretário avalia, mesmo sem citá-lo, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não irá engrenar no próximo ano, já que, para ele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será eleito no primeiro turno.
Confira a entrevista completa:
Política Livre: O senhor assume a Serin não apenas com a função de desobstruir os canais de articulação política do governo Rui Costa com os aliados, como também de ajudar na articulação política em favor da candidatura ao governo de Jaques Wagner em 2022. Que missão considera mais difícil?
Luiz Caetano: O governador, quando me convidou para ser secretário da Serin, foi no sentido de dar continuidade ao processo de articulação política institucional e, também, obviamente, a articulação com as instituições, com os agentes políticos, com deputados federais, estaduais, vereadores e prefeitos, com movimentos sociais, enfim, com a sociedade como um todo. Claro que sou secretário e secretário é para executar. O governo tem um conceito de articulação e eu vou trabalhar e estou trabalhando em cima desse conceito. O foco principal agora é exatamente desobstruir se tiver canais obstruídos. [O foco agora] é dialogar, é melhorar o diálogo com todos esses parceiros e setores e, obviamente, que a pré-candidatura de Jaques Wagner é um processo a se fazer junto com os partidos políticos, mas o foco central é esse, de montar essa articulação.
Alguns novos secretários que assumiram agora nesta pequena reforma administrativa disseram que encontraram suas pastas em estado de terra arrasada. O termo se aplica para a articulação política?
Não. Não encontramos terra arrasada. Ontem, me perguntaram [sobre o fato] de o governador não trabalhar muito a política. Eu disse que o governador está tão envolvido de corpo e alma nessa questão do combate à Covid que o governo está todo voltado para isso. Como é que o governador não faz articulação política se o governador tem a maior base consolidada politicamente no Estado? É a base de diversos partidos que estão hoje e que continuam apoiando dentro do governo e participando do governo. Então eu não concordo muito com esse argumento. Não vejo terra arrasada. Pelo contrário. Acho que é preciso dialogar, conversar, articular, resolver os pleitos que estão pendentes exatamente por causa dessa questão do Covid e é isso que vou fazer e estou fazendo aqui. Já atendi diversos deputados. Estou definindo prioridades com eles para poder levar para o governador, [estou definindo] agenda do governador com deputados e prefeitos, então é esse momento que a gente quer cada vez mais construir dentro do Governo do Estado, dentro da Serin.

O senhor acredita que esse tempo em que a administração ficou sem articulador prejudicou mais o governo ou o político Rui Costa?
Eu acho que o que aconteceu muito é que, com essa situação do Covid, teve dificuldades, sim, até [pelo fato] de [não poder] estar presencial na governadoria e na Serin [por parte] dos gestores, mas eu acho que, no fundamental, na minha opinião, não deu estrago, porque o governo está muito bem avaliado. O governo está com 78% [de aprovação]. Se tem 78% é porque o governo está bom, não é? Boa parte acha o governo bom ou ótimo. Então eu penso que eu aqui não tenho que olhar para o que aconteceu e [sim] olhar para frente para poder cada vez mais melhorar o que já está bom dentro do governo.
O senador Jaques Wagner disse ao Valor Econômico que o principal legado dos governos petistas na Bahia é a mudança no jeito de fazer política. Isso não é muito pouco para um partido que completará 16 anos no poder na Bahia em 2022?
Na verdade, [tem como legado] o jeito de fazer a política, o jeito de respeitar, de ser republicano, de respeitar os parceiros... Wagner é mestre e também o nosso governo que fez muito bem, mas o governo não é só isso. Então acrescento à sua fala. Penso que Wagner falou mais nesse aspecto político. Eu não vi essa fala do Wagner, mas acho que ele falou mais no aspecto político. Wagner diz isso com muita autoridade, porque foi o partido que fez a mudança na Bahia, que fez a mudança no Brasil, e que melhorou a vida do povo. Wagner ganhou duas eleições no primeiro turno. Rui ganhou duas eleições no primeiro turno. Então isso mostra que o modelo de fazer a gestão e a política na Bahia está dando certo sob o comando de Rui. Teve o comando de Wagner. Esse comando tem dado certo. Essa campanha tem dado certo. Quando ele quis falar isso ele falou nesse sentido. É um registro histórico e importante.
Mas o que Wagner vai apresentar ao eleitorado para contrapor à novidade de ACM Neto?
Wagner é um dos políticos mais jovens que eu conheço. Ele está se renovando a cada instante. Wagner é um grande patrimônio político não só da Bahia. Wagner foi um grande ministro de prestígio que ajudou muito a Bahia. Wagner é um senador atuante no Congresso Nacional. Um formador de opinião nacional e internacional. Então eu penso que é um grande quadro. Não tenho me preocupado com adversário. Aqui não estamos preocupados com adversários nenhum nem com quem vai ser o adversário - se é A, B, C ou D. Estamos focados em melhorar cada vez mais o governo e, consequentemente, o nosso projeto político, que é comandado por Rui Costa e Wagner aqui na Bahia.
Mais uma vez a candidatura petista ao governo vai se beneficiar do candidato Lula à presidência como aconteceu nos outros pleitos?
Eu acho que é uma mão dupla. Tanto o Lula vai se beneficiar pelo sucesso da gestão petista na Bahia e partidos aliados, e a Bahia também vai se beneficiar muito, porque Lula ajudou muito a Bahia, como ajudou o Brasil inteiro. Então vai ser uma mão dupla. Acho que tanto lá quanto cá sairão ganhando com esse momento novo que, na minha opinião, Lula tem tudo para definir essa eleição no primeiro turno.

Um quinto governo do PT na Bahia faria o que de diferente do que fez até agora?
Aí é uma construção de um projeto para a sociedade que o próprio PT, partidos aliados e Wagner vão construir o desenho para que realmente a gente continue dando passos significativos no sentido de modernizar a Bahia e de melhorar cada vez mais a Bahia. Esse é um processo que está em discussão. Obviamente, tanto Wagner como Rui, como todos os agentes políticos aqui, o foco central nesse instante é o combate ao Covid. Discutir política eleitoral e eleições deixa para o ano que vem. No ano que vem, obviamente, Wagner e suas forças políticas vão arrumar um projeto e um programa de governo ouvindo a sociedade e ele irá apresentar isso.
De que forma o ingresso do senhor numa secretaria politicamente tão vital para o governo e seu partido fortalece o seu projeto político de retomar o controle da cidade de Camaçari?
Eu gosto de focar no que estou fazendo. Obviamente que fazer bem o que está se fazendo tem repercussões positivas, mas isso é uma consequência. Eu acho que o fato de ter sido convidado e estar sendo secretário tem repercutido muito na cidade e na Bahia, e vou dar todo o meu melhor para fazer um bom trabalho, sabendo e tendo a clareza de que aqui o que tem que brilhar é o projeto, é o governo e é o governador. Eu sou aqui um soldado, como sempre fui, na construção desse nosso projeto na Bahia. Então estou muito honrado em estar aqui agora desempenhando esse papel, fazendo esse trabalho. Obviamente que isso tem repercussão positiva ou negativa, depende do trabalho. Então tudo o que poderá acontecer daqui para a frente vai depender do que eu faça. Como sou muito determinado, todas as minhas tarefas e todos os meus objetivos eu vou para cima para poder resolver, conquistar e solucionar. Portanto eu acho que agora é pensar em trabalhar como estou fazendo. Saio daqui sempre 22h ou 23h indicando as instituições, conversando, enfim, estou fazendo o dever de casa para poder ajudar o projeto, o governo e o povo.
