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Proposta da Câmara é retrocesso nas regras para inclusão de mulheres na política, dizem especialistas
Proposta da Câmara é retrocesso nas regras para inclusão de mulheres na política, dizem especialistas
Por Ranier Bragon / Folha de São Paulo
29/05/2021 às 12:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A movimentação na Câmara dos Deputados para alterar as regras de cota para estímulo da participação das mulheres na política representará um retrocesso caso mantenha os pressupostos anunciados até o momento, avaliam as especialistas Flávia Biroli e Luciana Lóssio.
Em entrevista simultânea dada à Folha, por meio de videochamada, as duas criticam a proposta de criação de uma cota de 15% de cadeiras, sob o argumento de que ela é insuficiente e traz em seu bojo a tentativa dos partidos de esvaziar as cotas de candidatura, financiamento e propaganda para as mulheres, atualmente em 30%.
"Não nos façam passar essa vergonha. O Brasil já está na lanterninha no mundo, na nossa região, na representação política de mulheres", diz Flávia, 46, que é doutora em História pela Unicamp, professora do Instituto de Cie?ncia Poli?tica da Universidade de Brasi?lia e autora, entre outros, do livro Ge?nero e Desigualdades: Limites da Democracia no Brasil (Boitempo, 2018).
"Não podemos admitir nenhum tipo de retrocesso na legislação. O Parlamento tem que se somar aos avanços já implementados pelo Poder Judiciário", afirma Lóssio, 46, ministra do Tribunal Superior Eleitoral de ?2011 a 2017.
Em março, as duas participaram da série de encontros virtuais que debateu a participação feminina na política brasileira, com o apoio da Folha.
A relatora da reforma política na Câmara, Renata Abreu (SP), que é presidente do Podemos, afirmou em entrevista à Folha que pretende adotar em seu parecer um percentual mínimo de cadeiras (possivelmente 15%), a começar das Câmaras Municipais, flexibilizando, por outro lado, a cota de candidatas (30%).
