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PF usou emails, agendas, anotações e decisões como indícios contra Toffoli; veja depoimento de Cabral

PF usou emails, agendas, anotações e decisões como indícios contra Toffoli; veja depoimento de Cabral

Por Fabio Serapião e Camila Mattoso / Folha de São Paulo

21/05/2021 às 08:13

Atualizado em 21/05/2021 às 08:13

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Material foi encaminhado ao Supremo; ministro diz que jamais recebeu qualquer valor ilegal

A Polícia Federal elencou uma série de documentos no pedido de abertura de inquérito contra o ministro Dias Toffoli (STF) como elementos de corroboração ao depoimento de Sérgio Cabral sobre a suposta venda de decisões.

Emails, agendas com encontros entre os envolvidos na suposta negociação, mensagens por aplicativos e anotações do ex-governador do Rio foram anexados ao material encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que começa a julgar nesta sexta-feira (21), no plenário virtual da corte, o recurso da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra a validade da delação de Cabral com a PF.

Toffoli tem dito desconhecer os fatos mencionados e que jamais recebeu qualquer valor ilegal. Na sexta (14), Edson Fachin, relator do caso, indeferiu os pedidos de investigação após a Procuradoria-Geral da República se manifestar contra a apuração.

Como mostrou o Painel, da Folha, boa parte dos dados que a PF juntou faz parte das operações Calicute e Boca de Lobo, cujos conteúdos foram compartilhados de um caso para outro com autorização de Fachin.

Os documentos mostram, na opinião da polícia, indícios da relação de Cabral e seu grupo com José Luiz Solheiro, que seria o intermediário de Toffoli e de sua mulher, a advogada Roberta Rangel.

Ex-policial militar, segundo Cabral, Solheiro integrou a sua equipe de segurança e a do ex-governador Luiz Fernando Pezão. A PF fez uma apuração preliminar sobre o ex-PM e encontrou empresas sediadas em Jundiaí (SP) registradas em seu nome e no de um sócio.

De acordo com os investigadores, “causa estranheza o fato de essas empresas terem capital social de alto valor”, elas estarem sediadas em um mesmo endereço e serem dos mesmos donos.

“Considerando o modo como estão dispostas, há indícios de que possam ser empresas de fachada (algumas) e/ou utilizadas para confundir e dificultar a fiscalização”, diz a PF em relatório.

Segundo Cabral, Solheiro era conhecido por ter boas relações com empresários paulistas e com integrantes do Judiciário.

No início de 2013, diz o ex-governador, Solheiro teria dito que Dias Toffoli queria estreitar as relações com Cabral e sugeriu um encontro com Roberta Rangel, mulher do ministro.

“Durante o encontro, a dra. Roberta ligou para o ministro Dias Toffoli. Ele registrou a alegria, a satisfação de eu receber sua esposa e agradeceu pela colaboração e gentil recepção”, disse Cabral.

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