Falta de Coronavac deixa até governadora do RN sem 2ª dose
Por João Pedro Pitombo/Folhapress
04/05/2021 às 22:11
Atualizado em 04/05/2021 às 22:11
Foto: Elisa Elsie/Governo do Rio Grande do Norte

O atraso na distribuição de vacinas Coronavac pelo governo federal fez com que cerca de 82 mil pessoas ficassem sem a 2º dose do imunizante dentro do prazo no Rio Grande do Norte, incluindo até mesmo a governadora Fátima Bezerra (PT).
Nesta terça (4), fez 29 dias que a governadora, que tem 65 anos, tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Ela recebeu a primeira dose em 5 de abril em uma unidade básica de saúde em Natal –portanto, deveria ter tomado a segunda até esta segunda-feira (3).
A indicação do Butantan é que segunda dose da Coronavac seja tomada em um prazo entre 21 e 28 dias depois da primeira. O Ministério da Saúde recomenda que ela seja tomada mesmo fora do prazo prescrito em bula.
Em Natal, cerca de 45 mil pessoas estão com a segunda dose atrasada, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Em alguns casos, o atraso chega a 36 dias.
A segunda dose está em falta na capital do estado desde o dia 12 de abril, quando teve que suspender a aplicação do reforço da imunização.
Desde então, a prefeitura a prefeitura tem recebido lotes de vacina em quantidade insuficiente para atender o cronograma, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
A prefeitura vai retomar nesta quarta-feira (6) a aplicação dos reforços, mas apenas para as pessoas que tomaram a primeira dose até o dia 28 de março. Esse grupo contempla 1.149 pessoas, sendo 45% com idades entre 70 a 74 anos e 55% de profissionais de saúde com a segunda dose em atraso.
A prefeitura pediu que quem tomou a vacina a partir de 29 de março e está com a segunda dose atrasada não compareça aos locais de vacinação para evitar aglomerações desnecessárias.
Na última semana, a governadora cobrou ao Ministério da Saúde celeridade no envio de novas doses para o Rio Grande do Norte e solicitou formalmente ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um lote extra de vacina para atender as pessoas que estão com a segunda dose atrasada.
Ela criticou o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), por não ter seguido a orientação inicial do Plano Nacional de Imunização e ter aplicado em outros grupos vacinas que deveriam ser destinadas às segundas doses. A prefeitura, por sua vez, diz que seguiu as orientações do governo federal.
No início da vacinação, o Ministério da Saúde orientou que estados guardassem as vacinas destinadas à segunda dose. Em abril, contudo, o então ministro, general da ativa Eduardo Pazuello, orientou prefeitos e governadores que usassem todo estoque para garantir que não houvesse descontinuidade.
A orientação mudou após a falta de insumos para fabricação da Coronavac. Na ocasião, Queiroga orientou que o volume destinado à segunda dose fosse guardado por estados e municípios.
Na última semana, governo do estado e prefeitura de Natal firmaram um termo de ajustamento de conduta com os Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho definindo que as doses da reserva técnica de Coronavac que forem encaminhadas pelo estado ao município terão que ser exclusivamente usadas na segunda imunização.
A orientação do Ministério da Saúde é que os estados mantenham uma reserva técnica de 5% das doses de vacinas. Contudo, diante da falta da Coronavac, o Rio Grande do Norte reduziu essa reserva para 1%.
Mais da metade das capitais do país está com falta de Coronavac para aplicar em quem precisa da segunda dose.
Ao menos nove suspenderam a aplicação do imunizante produzido pelo Instituto Butantan: Aracaju, Belo Horizonte, Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Porto Velho, Recife e Rio de Janeiro.
Outras sete têm disponibilidade restrita do imunizante: Boa Vista, Curitiba, João Pessoa, Macapá, Maceió, Natal e Salvador.
Na última sexta-feira (30), o Instituto Butantan informou que entregou antecipadamente um lote de 600 mil doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. A previsão era que as doses seriam distribuídas a partir desta segunda-feira (3).
