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Emails da Pfizer comprovam omissão na busca por vacinas, dizem senadores da CPI

Emails da Pfizer comprovam omissão na busca por vacinas, dizem senadores da CPI

Por Renato Machado/Folhapress

21/05/2021 às 17:49

Atualizado em 21/05/2021 às 17:49

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Otto Alencar (PSD-BA) afirma que as investigações da CPI vão revelar novos fatos e informações sobre a omissão do governo na compra de vacinas

Senadores que integram o grupo majoritário da CPI da Covid, formado por independentes e oposição, consideram que os emails enviados pela Pfizer comprovam a omissão do governo Jair Bolsonaro nas tratativas para comprar vacinas contra a Covid-19.

O lado governista da comissão, por sua vez, considera que essas comunicações fazem parte de um esforço para se criar uma narrativa falsa contra o governo federal.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que emails enviados pela Pfizer ao Ministério da Saúde, entregues à CPI em caráter de sigilo, evidenciam a insistência da farmacêutica para negociar vacinas com o governo Bolsonaro, ao mesmo tempo que deixam clara a ausência de respostas conclusivas às propostas apresentadas pela empresa.

De 14 de agosto a 12 de setembro de 2020, quando o presidente mundial do laboratório americano mandou carta ao Brasil, foram ao menos dez emails enviados pela farmacêutica discutindo e cobrando resposta formal do governo sobre a oferta apresentada.

A ausência de respostas para a compra de vacinas pela Pfizer se tornou um dos temas centrais da CPI, principalmente após depoimento do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngerten, na semana passada.

Wajngarten disse à comissão que iniciou tratativas com a Pfizer após constatar que as propostas para a venda de vacinas da empresa ficaram quase dois meses sem resposta do governo.

A fala foi corroborada com a oitiva seguinte, do gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo.

Para senadores do grupo majoritário da CPI, os emails da Pfizer deixam claro que o governo buscava combater a pandemia com métodos alternativos, que não passavam pela vacina.

“Os documentos apontam que a CPI está no caminho correto da investigação. Enquanto os brasileiros precisavam de vacina, máscaras e oxigênio, o governo escolheu a contaminação de todos e o negacionismo. O resultado é a tragédia que estamos vivendo”, disse à Folha o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

O também integrante da CPI e médico de formação Otto Alencar (PSD-BA) compartilha a visão do vice-presidente da comissão.

“Esses emails comprovam o que desconfiávamos, que o governo Bolsonaro postergou a compra de vacinas, porque tinha a falsa crença de que a hidroxicloroquina e a imunidade de rebanho iriam funcionar no enfrentamento à pandemia”, afirmou o senador.

Alencar afirma que as investigações certamente vão revelar novos fatos e informações nessa direção, de omissão na compra de vacinas.

“Vacina nunca foi prioridade. Bolsonaro foi muito franco com isso, tanto que no fim do ano passado ele disse que o vírus ia embora e que não iria comprar vacina”, completou o senador.

Os emails enviados pela Pfizer devem abrir uma linha de investigação. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirma que as mensagens deixam claro que as negociações não foram levadas adiante de uma maneira diligente.

“Eles mostram que a negociação foi, na melhor das hipóteses, amadora e lenta”, afirmou.

O lado governista da CPI, por outro lado, desdenha das informações contidas nos emails e afirma que se trata de uma tentativa de criar uma narrativa para atingir diretamente Bolsonaro.

“É impressionante a narrativa que se quer criar. Essa discussão é inócua. Os governadores conseguiram no Supremo Tribunal Federal o direito de comprar vacinas. Quantas doses da Sputnik já chegaram ao Brasil? Por que elas não foram compradas? Porque não tinha aprovação da Anvisa”, afirma o senador governista Ciro Nogueira (PP-PI), em referência ao fato de que na época dos emails a agência de vigilância sanitária não havia aprovado o imunizante da Pfizer.

“Essa discussão da Pfizer é para se criar uma narrativa falsa contra o governo. O que é fato é que todas as tratativas com a Pfizer nesse período aí, a Pfizer sempre ofereceu muito menos vacinas do que o governo brasileiro comprou neste ano. Impressionante essa narrativa. É uma tentativa muito grande de tentar criar um fato errado contra o governo”, completou.

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