Doações de vacinas contra covid-19 ainda não decolaram
Por Estadão
18/05/2021 às 10:05
Foto: Bruno Concha/Secom PMS

Houve um tempo em que alguns pensavam que os países pobres poderiam escapar do pior na pandemia – graças a densidade populacional, demografia ou clima. Provou-se que não é este o caso. Na verdade, julgando pelo “excesso de mortalidade”, uma métrica que leva em conta o número de pessoas que morreram de qualquer causa em um determinado período em comparação com a média histórica de mortes, países pobres com frequência se saem pior do que os ricos.
O Peru, afligido atualmente por uma segunda onda da pandemia, registrou mais de 4 mil mortes em excesso por 1 milhão de habitantes desde seu início, mais que o dobro do índice nos Estados Unidos, Reino Unido ou Itália. Se a crise de covid-19 na Índia cobrar uma taxa similar de excesso de mortalidade, isso resultará em quase incomensuráveis 5,6 milhões de mortos.
Esforços de vacinação nos lugares mais pobres do mundo, enquanto isso, avançam com dificuldade. Na África, apenas 1% das pessoas recebeu pelo menos uma dose da vacina; na Ásia, 4,4% se imunizaram. Na Europa e nos EUA, os índices são de 22% e 44%, respectivamente, de acordo com o Our World in Data, um projeto de pesquisadores da Universidade de Oxford. Países ricos se concentraram em vacinar suas populações, deixando que países pobres lutem para conseguir vacinas contra a covid-19 ou desenvolver o próprio imunizante.
Esforços de vacinação nos lugares mais pobres do mundo, enquanto isso, avançam com dificuldade. Na África, apenas 1% das pessoas recebeu pelo menos uma dose da vacina; na Ásia, 4,4% se imunizaram. Na Europa e nos EUA, os índices são de 22% e 44%, respectivamente, de acordo com o Our World in Data, um projeto de pesquisadores da Universidade de Oxford. Países ricos se concentraram em vacinar suas populações, deixando que países pobres lutem para conseguir vacinas contra a covid-19 ou desenvolver o próprio imunizante.
Se a OMS aprovar nos próximos dias as vacinas da Sinovac e da Sinopharm, da China, ampliando as opções de vacinas que a Covax pode comprar, isso pode ajudar. Em 3 de maio, a Moderna afirmou que forneceria 34 milhões de doses de sua vacina contra covid-19 à Covax.
O dinheiro também é um problema. Em 16 de abril, as doações à Covax totalizaram apenas US$ 6,6 bilhões. Antecipando-se ao encontro dos líderes do G-7, em junho, o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu que os países ricos destinem US$ 60 bilhões para o combate à pandemia nos países pobres.
Há uma forte motivação moral para vacinar os pobres do mundo. Mas isso também beneficia os países ricos. Mais infecções, independentemente de onde ocorram, significam mais oportunidades para o vírus Sars-CoV-2 sofrer mutações, que podem, no pior dos cenários, deixar as pessoas vacinadas vulneráveis outra vez. Para ricos e pobres, esse é um desdobramento que deve ser evitado a quase qualquer custo.
