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Butantan começará teste com plasma de pacientes contra Covid em Araraquara e Santos
Butantan começará teste com plasma de pacientes contra Covid em Araraquara e Santos
Por Folha de S. Paulo
01/04/2021 às 19:18
Atualizado em 01/04/2021 às 19:18
Foto: Divulgação/Instituto Butantan

As cidades de Santos e Araraquara começarão um projeto, com apoio do Instituto Butantan, para testar o uso de plasma de pacientes que tiveram Covid-19 no tratamento de pessoas com a doença. Participarão do estudo pessoas imunossuprimidas, com comorbidades e/ou as maiores de 60 anos que receberam diagnóstico de Covid.
O anúncio foi feito no início dessa semana por Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan e pelos prefeitos das cidades.
O projeto usará os hemocentros H.Hemo Hemoterapia Brasil, Pró-Sangue e os hemocentros da Unicamp e da USP de Ribeirão Preto para coleta, armazenamento e distribuição da terapia.
A ideia do tratamento com plasma é transferir anticorpos (contidos no plasma, componente líquido do sangue) de uma pessoa que já teve a Covid para uma segunda que está com a doença. A introdução dos anticorpos prontos no corpo poderia ajudar a combater a infecção.
Caso o projeto com as duas cidades seja bem-sucedido, a ideia é expandir a utilização do tratamento para outros municípios.
A doação de plasma pode ser feita em algumas das unidades dos hemocentros citados acima. O plasma pode ser doado somente por homens que tenham tido Covid-19 confirmada pelo menos 30 dias antes da coleta que estejam em boas condições de saúde, entre 16 e 69 anos e que pesem no mínimo 50 kg. Também é necessário evitar comidas gordurosas antes da doação. No momento da coleta é preciso mostrar documento original com foto.
Mulheres não podem doar porque na gestação há a liberação de anticorpos que podem causar, no recebedor do plasma, lesão pulmonar.
Segundo o Butantan, os próprios municípios procuraram o instituto em busca do uso da terapia devido à explosão de Covid-19 em curso.
Outra ação tomada por Araraquara foi um lockdown —semelhante às ações restritivas de circulação adotadas em países europeus—, com a interrupção de todos os serviços, até mesmo supermercados (que só podiam atender por delivery) e a proibição de circulação de pessoas nas ruas sem justificativa. Após o lockdown, a cidade viu melhora na situação crítica que vivia.
Além do plasma de pacientes recuperados, o Butantan também desenvolve pesquisa com soro de cavalos para tratamento da doença. Na pesquisa do instituto, o vírus inativado foi aplicado em cavalos para estimular a produção de anticorpos no animal. Os cavalos produzem mais anticorpos que os seres humanos. A partir de então, o soro é feito com o plasma retirado dos bichos.
O Instituto Vital Brazil, do Rio de Janeiro, também produz pesquisa semelhante.
