Difícil aliança com árabes indica obstáculo para Netanyahu se manter no poder
Por Folha de S. Paulo
24/03/2021 às 17:08
Atualizado em 24/03/2021 às 17:08
Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Com 89,3% dos votos apurados em Israel, os resultados da quarta eleição em dois anos ainda não indicam quem será o próximo primeiro-ministro, mas mostram que o pleito, visto como um referendo pessoal do premiê Binyamin Netanyahu, pode ter deixado o futuro político do país nas mãos dos árabes.
A ironia é que, durante anos, Netanyahu afirmou que nunca faria alianças políticas com essa minoria e, em campanhas anteriores, recorreu a uma retórica racista associando-os ao terrorismo fundamentalista.
Neste ciclo eleitoral, porém, visitou comunidades árabes para pedir votos para o Likud, seu partido, ou para a Lista Árabe Unida, cujos membros divergem no apoio ao projeto conservador de Netanyahu.
Mais do que jogo político, a busca por apoio de outras legendas é uma questão de sobrevivência para o premiê. Atualmente, os 12 anos no poder já o tornam o mais longevo no cargo desde a fundação do Estado de Israel, em 1948. Sua permanência, entretanto, está ameaçada devido a uma série de críticas a seu governo, em especial em relação às acusações de corrupção pelas quais responde na Justiça.
Assim, apesar de o Likud ter conquistado o maior número de assentos no Knesset, o Parlamento israelense, Bibi, como Netanyahu é conhecido, precisa estabelecer alianças com outros partidos para costurar a maioria que o permitiria continuar no poder.
Em Israel, os eleitores votam em listas de partidos, e não em candidatos individuais. Tradicionalmente, nenhuma legenda consegue garantir sozinha 61 das 120 vagas no Parlamento e, para que se chegue a um vencedor, os partidos negociam até que se forme uma coalizão. As dificuldades para constituir esse bloco são o principal fator de instabilidade na política israelense nos últimos dois anos.
Por enquanto, o conjunto dos partidos favoráveis a Netanyahu já garantiu 52 assentos, enquanto o bloco contrário, 56. Duas legendas ainda não decidiram quem apoiar: o Yemina (7 cadeiras) e a Lista Árabe Unida (5). Nesse cenário, Bibi precisaria que ambas as siglas decidam apoiá-lo e, se um dos partidos se opor, a decisão poderia representar a saída do primeiro-ministro do poder.
