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Bolsonaro tenta evitar que compra da mansão de Flávio afete apoio ao governo

Bolsonaro tenta evitar que compra da mansão de Flávio afete apoio ao governo

Por Gustavo Uribe, Folhapress

02/03/2021 às 15:39

Atualizado em 02/03/2021 às 15:39

Foto: Alan Santos/PR

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem se mobilizado desde a segunda-feira (1) para evitar que a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília possa afetar a popularidade de seu governo.

Segundo assessores palacianos, a ordem repassada a integrantes da equipe ministerial é para que eles evitem comentar o assunto em público, em uma tentativa de afastar o assunto do Palácio do Planalto e do próprio presidente.

A avaliação em caráter privado, no entanto, é de que foi desnecessária e inoportuna a compra do imóvel uma semana após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ter anulado a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador no âmbito da investigação do esquema de "rachadinhas".

A opinião, segundo aliados do presidente, também é compartilhada por ele. É por isso, de acordo com relato feito à Folha, que na própria segunda-feira (1) Bolsonaro e Flávio concordaram sobre a necessidade de o senador divulgar uma nota pública para afastar suspeitas sobre o negócio.

O documento, divulgado nesta terça-feira (2), ressalta que Flávio usou recursos da venda de um imóvel no Rio de Janeiro ´para comprar a mansão em Brasília. Ela salienta que tudo está registrado em escritura pública e finaliza que "qualquer coisa além disso é pura especulação ou desinformação por parte de alguns veículos de comunicação".

O senador ainda gravou um vídeo para as redes sociais para se explicar sobre o negócio, no qual também fez críticas aos veículos de comunicação. "Eu lamento que a imprensa exponha o endereço onde eu moro e exponha a minha família", disse.

Apesar da preocupação com o desgaste do episódio, o presidente tem minimizado a assessores e aliados a compra da mansão e repetido que seus filhos são perseguidos pelos veículos de imprensa para prejudicá-lo politicamente.

A necessidade de uma reação rápida de Flávio, segundo assessores palacianos, se deu após a constatação de que o episódio surtiu uma reação tímida da base bolsonarista nas rede sociais, um indicativo de que ele foi mal visto pelos eleitores do presidente.

Na segunda-feira (1), segundo constatou integrantes do bunker digital do Palácio do Planalto, a maior parte dos comentários sobre o assunto eram negativos, assim como a decisão, na semana anterior, de anulação da quebra de sigilo bancário e fiscal do senador.

?A mansão em Brasília é o 20º imóvel que Flávio adquire em um intervalo de 16 anos —considerando um andar com 12 salas comerciais de que foi proprietário. A intensa atividade imobiliária do senador foi revelada pela Folha em 2018.

Antes de fechar o negócio em Brasília, segundo levantamento patrimonial, Flávio tinha dos imóveis: o apartamento na Barra da Tijuca, adquirido por R$ 2,5 milhões, com financiamento, e uma sala comercial num shopping da zona oeste, avaliada em R$ 150 mil.

Na denúncia oferecida contra o senador no caso das "rachadinhas", o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou que as operações de compra e venda de dois imóveis foi usada para lavagem de dinheiro.

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