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PF faz buscas na Lava Jato 80 e bloqueia R$ 5,2 milhões

PF faz buscas na Lava Jato 80 e bloqueia R$ 5,2 milhões

Por Estadão Conteúdo

11/02/2021 às 08:32

Atualizado em 11/02/2021 às 08:32

Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

PF faz buscas na Lava Jato 80 e bloqueia R$ 5,2 milhões

A Polícia Federal abriu nesta quinta-feira, 11, a Operação Pseudeia, 80ª fase da Lava Jato, para aprofundar investigações sobre propinas de um estaleiro.

Os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão em São Paulo, sendo três na capital e dois em Pindamonhangaba, no interior paulista. A Justiça ainda autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados na ordem de R$ 5,2 milhões – valor correspondente aos prejuízos identificados até aqui.

A investigação é desdobramento da Operação Acarajé, 23.ª etapa da Lava Jato em 2016, que teve entre os alvos principais o publicitário João Santana. Na época, os procuradores acusaram pagamentos ilícitos no exterior para agentes públicos e marqueteiros políticos feitos pelo representante do Keppel Fels, estaleiro contratado pela Petrobras.

Na operação desta quinta, as investigações buscam identificar outros beneficiários das transferências, diz a PF. Um deles teria, por exemplo, firmado contrato de consultoria ideologicamente falso com o representante do estaleiro, através de uma empresa offshore constituída em um paraíso fiscal e de uma conta no exterior, para receber pagamentos na ordem de um milhão de dólares no ano de 2013.

Detalhes do suposto esquema acabaram sendo revelados pelo próprio representante do estaleiro em acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal. De acordo com o delator, os pagamentos foram feitos para cobrir pedidos de propinas pelo tesoureiro do partido político que formava o então governo federal.

Os relatos foram checados na reanálise de materiais apreendidos na Operação My Way, 9ª fase ostensiva, que havia feito buscas contra o colaborador, e por informações enviadas por autoridades suíças. De acordo com a Polícia Federal, os investigadores encontraram mensagens e dados de ligações telefônicas que comprovavam o relacionamento entre o investigado e o colaborador, os vínculos com o tesoureiro do partido político e tratativas para pagamentos de mais 600 mil dólares ao investigado, no ano de 2014, além da conta no exterior do investigado.

“Diligências posteriores confirmaram que o investigado ainda possuía outra conta no exterior e que, nos anos de 2014 e 2015, mesmo após a Operação Lava Jato já ter sido deflagrada, efetuou diversas transferências bancárias no exterior para, através de operações de dólar-cabo, encerrar as contas e internar irregularmente os valores recebidos à margem da lei”, informou a PF.

As buscas feitas na manhã de hoje buscam ainda esclarecer os motivos para outros depósitos nas contas do investigado no exterior e a razão para seu favorecimento a pedido do tesoureiro de partido político, além de apurar a destinação dos valores internados irregularmente no Brasil com o uso de doleiros.

A investigação recebeu o nome de Operação Pseudeia em referência ao espírito da mentira, na mitologia grega, e em ‘alusão ao nome do investigado e ao emprego de expedientes falsos para justificar os recebimentos de valores no exterior’, explica a Polícia Federal.

O investigado pode responder pela prática por lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o sistema financeiro nacional.

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