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Ministro Bento Albuquerque está entre cotados para assumir Petrobrás

Ministro Bento Albuquerque está entre cotados para assumir Petrobrás

Por Estadão

19/02/2021 às 16:44

Atualizado em 19/02/2021 às 16:44

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, está entre os cotados para assumir a presidência da Petrobrás no lugar de Roberto Castello Branco. O nome do almirante circula nos bastidores depois das críticas do presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal ao executivo, que semanas antes disse que a greve dos caminhoneiros não era um problema da Petrobrás - mesmo que esse movimento estivesse fortemente relacionado ao aumento do diesel.

Na quinta-feira, 18, Bolsonaro prometeu zerar os impostos federais sobre o diesel por dois meses. Ele considerou o aumento anunciado pela Petrobrás, o quarto do ano, "fora da curva" e "excessivo". Embora tenha dito que não pode interferir na estatal, ressaltou que a medida "vai ter consequência", sem deixar claro qual seria.

Bento Albuquerque tem sido fustigado pelo Congresso desde que assumiu o cargo, historicamente ocupado pelo MDB no Senado. Depois que Bolsonaro decidiu se aproximar do Centrão e reforçar sua base no Legislativo, seu nome passou a circular como um possível substituto a Wilson Ferreira Jr - que renunciou à presidência da Eletrobrás três dias depois que o então futuro presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que a privatização da companhia não seria prioridade em sua gestão.

Albuquerque é um nome que tem plena confiança de Bolsonaro e a presidência da Petrobrás seria mais do que uma saída honrosa para o almirante, ao mesmo tempo em que abre espaço para acomodar os novos aliados de Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios.

O principal problema nessa estratégia é que Bolsonaro não tem poder formal para demitir Castello Branco. Essa é uma decisão que cabe ao Conselho de Administração da companhia, formado por membros indicados pelo governo, mas que atuam com independência. Assim, os "tiros" de Bolsonaro na direção de Castello Branco podem ser interpretados como um convite à renúncia - algo que o executivo pode acabar não fazendo.

Basta lembrar que, no início de janeiro, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, foi alvo do mesmo "bullying" ao anunciar a abertura de um plano de demissões voluntárias e de fechamento de agências na instituição financeira. Mas, depois de muita espuma, Brandão ficou e o plano de corte de gastos do banco foi integralmente mantido.

O recado de Bolsonaro, no entanto, foi dado. Coube ao presidente da Caixa, Pedro Guimarães, anunciar, também em live ao lado de Bolsonaro, a abertura de agências no Norte e Nordeste, muitas com foco no agronegócio - uma das principais áreas de atuação do BB.

Mesmo na escolha de ministros, decisão sobre a qual Bolsonaro tem todo o poder, a estratégia tem sido a mesma: espancar o aliado e esperar uma demissão por razões pessoais. Quem não lembra do caso do ex-ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral), que inaugurou uma longa lista de autoridades que passaram por fritura pública antes de deixar o governo?

A greve dos caminhoneiros de 2018 derrubou o então presidente da Petrobrás, Pedro Parente, em um governo que já sofria com a desarticulação dos últimos meses de Michel Temer e cedeu à pressão da categoria pela mudança na política de preços dos combustíveis. A diferença é que os caminhoneiros não eram base de apoio de Temer.

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