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Luna nega intervenção de Bolsonaro e diz que produtos finais da Petrobras são para as pessoas

Luna nega intervenção de Bolsonaro e diz que produtos finais da Petrobras são para as pessoas

Por Vinicius Sassine / Folha de São Paulo

20/02/2021 às 17:37

Atualizado em 20/02/2021 às 17:37

Foto: Mauro Pimentel/AFP

General diz que, mesmo que quisesse, presidente não poderia intervir: 'política de preços é responsabilidade da diretoria'

Indicado por Jair Bolsonaro para presidir a Petrobras, em meio à insatisfação do presidente com a política de preços da estatal, o general da reserva Joaquim Silva e Luna disse à Folha na tarde deste sábado (20) que a empresa está “no meio da sociedade” e que seus produtos finais, como combustível e gás, se destinam às pessoas.

Mesmo assim, o general nega a possibilidade de Bolsonaro intervir na estatal e na política de preços praticada pela empresa. “Jamais haverá ingerência do presidente. Ontem, na nossa conversa, ele não falou nada disso”, afirmou Luna.

A conversa decisiva para sua indicação à presidência e ao conselho de administração da Petrobras ocorreu na sexta-feira (19), segundo o general, que atualmente é o diretor-geral de Itaipu Binacional. As primeiras conversas ocorreram durante o feriado de Carnaval, mas com o assunto girando mais em torno de “assuntos econômicos em geral”, conforme o general.

“Fui indicado ontem [sexta] pelo presidente, ainda serei referendado pelo conselho de administração. Há um caminho, um processo. Seria precipitado falar de Petrobras. Ainda não posso falar como se já estivesse sentado na cadeira de presidente", disse.

Mesmo assim, o general expressou algumas impressões sobre a política de preços vigente.

“Existem os dados abertos: barril de petróleo a US$ 60, dólar muito alto. Estes dois fatores interferem na política de preços.”

O diretor-geral da Itaipu deu um exemplo para ilustrar sua visão sobre a função de empresas estatais como a usina hidrelétrica e a Petrobras: "Uma empresa está no meio da sociedade. Itaipu investiu R$ 50 milhões em Foz do Iguaçu [PR] para combater a Covid-19. O rei que mora no castelo, quando sai do castelo, ele vai andar na rua."

Uma intervenção por Bolsonaro na Petrobras seria inviável, segundo o general.

“Mesmo se o presidente quisesse intervir, não tem como. A política de preços é responsabilidade da diretoria executiva. A decisão é colegiada. O presidente da Petrobras é um desses diretores".

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