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Com comentário de 'três anos depois', Villas Bôas ironiza crítica de Fachin sobre pressão ao STF
Com comentário de 'três anos depois', Villas Bôas ironiza crítica de Fachin sobre pressão ao STF
Por Eduardo Militão, Folhapress
16/02/2021 às 13:24
Atualizado em 16/02/2021 às 14:27
Foto: Agência Brasil

O ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas ironizou, no Twitter, uma crítica do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin aos militares feita nesta segunda-feira (15).
A reprimenda do magistrado foi feita por causa de um livro recém-lançado. Nele, o militar conta que outros integrantes das Forças Armadas o ajudaram a escrever uma nota, três anos atrás, sobre um julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta terça-feira (16), o general Villas Boas comentou a notícia sobre as críticas de Fachin: "Três anos depois".
O general Villas Boas sofre de esclerose lateral amiotrófica. Ele usa aparelhos de informática para se comunicar, como na entrevista que concedeu ao jornalista Pedro Bial. O militar está numa cadeira de rodas.
Em abril de 2018, o STF julgaria um habeas corpus de Lula. O relator era Fachin. Antes do julgamento, Villas Boas publicou duas notas em rede social em que falava que o Exército compartilhava o "repúdio à impunidade".
No livro recém-lançado, "General Villas Bôas: conversa com o comandante", de Celso de Castro, o militar narrou que o texto dele foi redigido em conjunto com "integrantes do Alto Comando" da caserna. Ministros do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) participaram. No julgamento de 2018, Lula perdeu o habeas corpus.
Fachin votou de maneira contrária ao que desejava a defesa do petista. E, por isso, Lula foi preso por já ter sido condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. O petista só deixou a cadeia em 2019.
Ao saber das novas revelações do livro e do noticiário a respeito do caso ocorrido anos antes, Edson Fachin divulgou uma nota na segunda-feira (15). Nela, o ministro criticou os militares.
"Diante de afirmações publicadas e atribuídas à autoridade militar e na condição de relator no STF do HC 152752, anoto ser intolerável e inaceitável qualquer forma ou modo de pressão injurídica sobre o Poder Judiciário", afirmou Fachin ontem. "A declaração de tal intuito, se confirmado, é gravíssima e atenta contra a ordem constitucional. E ao Supremo Tribunal Federal compete a guarda da Constituição."
A conta do general Villas Bôas não foi a única a comentar o momento em que Fachin fez as críticas. Ainda na segunda-feira, o colunista do UOL Reinaldo Azevedo lembrou que, à época dos fatos, o ministro votou contra o habeas corpus de Lula.
"Não é que, quase três anos depois do famoso tuíte do general Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, que deu um ultimato ao Supremo para manter Lula na cadeia, o homem decidiu considerar a coisa 'intolerável e inaceitável'?", questionou.
