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Bolsonaro pode lançar Roma contra Neto em 2022 e acabar beneficiando Wagner, avalia PT
Bolsonaro pode lançar Roma contra Neto em 2022 e acabar beneficiando Wagner, avalia PT
Por Política Livre
14/02/2021 às 11:18
Atualizado em 14/02/2021 às 14:40
Foto: Divulgação/Arquivo

Ao contrário da grande maioria para a qual a ficha ainda não caiu, o PT acredita que a ida do deputado federal João Roma (Republicanos) para o ministério da Cidadania provocou seu rompimento com o presidente nacional do DEM.
Mais do que isso: que a decisão enfraqueceu politicamente ACM Neto e foi deliberadamente utilizada por Jair Bolsonaro na tentativa de criar um novo pólo político na Bahia, de extrema-direita, que pode ser liderado por Roma.
Em outras palavras, o republicano pode vir a ser candidato ao governo da Bahia contra Neto num jogo combinado com Bolsonaro caso o presidente nacional do DEM não apóie a candidatura à reeleição do presidente da República.
A avaliação é feita pela cúpula da legenda, encampada pela presidente nacional petista Gleisi Hoffman e o ex-presidente Lula, e tem sido compartilhada com as direções estadual e municipal do partido na Bahia.
"Bolsonaro pode estar tentando, de fato, criar um novo pólo político na Bahia", afirma o presidente petista em Salvador, Ademário Costa. Para ele, o PT, que considera favorito à sucessão de Rui Costa, em qualquer cenário será o beneficiário da crise.
Ademário admite que promoveu uma revisão em seu posicionamento inicial, que via na indicação de Roma para o ministério a formalização de uma aliança entre Bolsonaro e Neto, o qual foi atualizado à medida que novas informações lhe chegaram.
Uma eventual candidatura de Roma tiraria de Neto, logo no início da campanha ao governo, o Republicanos, partido que historicamente se alia ao ex-prefeito em todas as eleições na Bahia e lidera o eleitorado evangélico.
Poderia, no extremo, levar, inclusive, Neto a ter que negociar com a legenda a indicação de Roma para a sua chapa, o que lhe faria perder uma vaga para articulações com outros partidos, num cenário que, para Ademário, só favorece o virtual candidato petista, Jaques Wagner.
"Somos forçados a entender que o eixo da política baiana pode estar mudando", afirma Ademário, avaliando que Bolsonaro pode ter atuado no sentido de aprofundar o dilema vivido por Neto entre abraçar-se a ele ou manter-se relativamente independente, abrindo seu palanque no Estado, como previu, do capitão reformado até Ciro Gomes.
Tanto quanto os petistas, o prefeito sabe que o eleitorado baiano é majoritariamente lulista, motivo porque não gostaria de assumir compromisso exclusivo com Bolsonaro, buscando conectar sua candidatura ao governo com quantos candidatos presidenciais puder, sem excluir, naturalmente, o voto bolsonarista.
Mas no caso de Bolsonaro transformar Roma em candidato, ainda mais sob o guarda-chuva de um partido evangélico, o eleitor bolsonarista teria uma alternativa que poderia prejudicar o plano de vôo de Neto.
Para Ademário, as declarações do ex-prefeito abrindo guerra contra o presidente da República depois da nomeação de Roma dão a Bolsonaro a justificativa que ele precisava para buscar constranger mais e mais o ex-prefeito.
