Invasão ao Congresso dos Estados Unidos é 'questão interna', diz Mourão
Por Estadão Conteúdo
06/01/2021 às 21:00
Foto: Dida Sampaio/Estadão

Único integrante do governo brasileiro a comentar a invasão ao Congresso dos Estados Unidos por extremistas pró-Donald Trump, o vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou tratar-se de “questão interna” dos americanos e evitou condenar os atos. “São questões internas dos EUA e que terão de ser solucionadas pelo novo governo e de acordo com a lei”, disse o vice ao Estadão.
Diferentemente de líderes de outros países democráticos, como os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Colômbia, Iván Duque, o presidente Jair Bolsonaro silenciou sobre a invasão do Congresso nos Estados Unidos. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República disse que não comentaria o caso, e o Itamaraty não havia se posicionado até a conclusão desta reportagem.
Até o governo da Venezuela, cujo presidente chavista, Nicolás Maduro, não é reconhecido como legítimo pelos EUA e pelo Brasil, usou a chancelaria para “condenar a polarização política e a espiral de violência” em Washington.
Ao se calar, Bolsonaro repetiu o comportamento que teve quando o presidente eleito Joe Biden, do Partido Democrata, foi apontado como vitorioso na eleição norte-americana. Na ocasião, o republicano Trump, derrotado, contestou o resultado, e Bolsonaro viria a ecoar mais tarde acusações de fraude vocalizadas por Trump, mas nunca provadas.
Sem mencionar diretamente os fatos nos Estados Unidos, assessor especial da Presidência Filipe Martins, principal assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais, publicou no Twitter um meme usado por militantes de direita de uma figura fumando e um gorro com a bandeira do Brasil. Logo em seguida, apoiadores do governo comentaram que “a hora iria chegar” por aqui, sugerindo que os mesmos atos poderiam acontecer no País. Minutos depois, porém, Martins apagou a postagem.
