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Filha de desembargadora, ex-cantora da Timbalada foi alvo de busca e apreensão na Operação Faroeste

Filha de desembargadora, ex-cantora da Timbalada foi alvo de busca e apreensão na Operação Faroeste

Por Redação

14/12/2020 às 19:20

Atualizado em 14/12/2020 às 19:43

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A ex-cantora da Timbalada Amanda Santiago

A ex-cantora da Timbalada Amanda Santiago, filha da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), é um dos 35 alvos de mandados de busca e apreensão. A ação foi feita na nova etapa da operação Faroeste, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14), contra um suposto esquema criminoso de venda de decisões judiciais.

A artista foi citada na delação premiada de um dos advogados acusados de negociar compras de sentenças. Ao Ministério Público Federal (MPF), ele denunciou a existência de cinco grupos de atuação no esquema: "Orcrim da desembargadora Lígia Cunha", "Orcrim da desembargadora Ilona Reis", "Grupo criminoso do desembargador Ivanilton da Silva", "Orcrim do desembargador Gesivaldo Britto" e o "Orcrim da desembargadora Maria do Socorro".

As investigações apontaram que Amanda Santiago apresentou movimentação financeira de mais de R$ 8 milhões no período analisado pelas autoridades, apesar de declarar R$ 1 mil em renda neste mesmo tempo.

A análise da movimentação bancária da artista também apontou transferências "vultuosas" para a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, que variavam entre R$ 25 mil e R$ 80 mil, para tentar legitimar o fluxo criminoso entre elas.

Maria do Socorro Barreto Santiago é ré na operação e está presa por envolvimento na organização criminosa.

No documento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi revelado que a desembargadora teria feito o pagamento de um imóvel na Praia do Forte à francesa Marie Agnês, que acusa a ex-presidente de ter se apropriado ilegalmente da casa - uma das parcelas quitadas foi de R$ 275 mil.

Segundo o STJ, Amanda Santiago também teria realizado operações financeira com Adailton Maturino (acusado de ser líder do esquema de venda de sentenças em processos sobre posse de terras no oeste da Bahia) e a esposa, Geciane Maturino, em valores que podem chegar a R$ 1 milhão, fazendo saque de R$ 500 mil para dificultar a vinculação criminosa entre os investigados.

Os outros 34 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador, em outras três cidades baianas — Barreiras, Catu, Uibaí — e um em Brasília (DF).

Nova etapa da operação Faroeste

Na etapa realizada nesta segunda-feira (14), as desembargadoras Lígia Maria Ramos Cunha Lima e Ilona Márcia Reis, do Tribunal de Justiça da Bahia, foram alvos de mandados de prisão temporária. Um mandado de prisão preventiva também foi emitido para Ronilson Pires de Carvalho.

A defesa de Lígia Ramos informou que a prisão temporária "é medida por demais grave e precipitada" e que "a desembargadora nunca foi chamada para ser ouvida". O G1 não conseguiu contato com a defesa de Ilona Reis. A Polícia Federal ainda não confirmou se as duas já foram detidas.

Outros alvos da operação foram o secretário de Segurança Pública (SSP) da Bahia, Maurício Barbosa, e a delegada chefe de gabinete da pasta, Gabriela Caldas Rosa de Macêdo. Ambos foram afastados do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça. O subsecretário da SSP, Ary Pereira de Oliveira, assumiu a pasta.

A investigação aponta a existência de um suposto esquema de venda de decisões judiciais por juízes e desembargadores da Bahia, com a participação de membros de outros poderes, que operavam a blindagem institucional da fraude.

O esquema, segundo a denúncia, consistia na legalização de terras griladas no oeste do estado. A organização criminosa investigada contava ainda com laranjas e empresas para dissimular os benefícios obtidos ilicitamente.

Há suspeitas de que a área objeto de grilagem supere os 360 mil hectares e de que o grupo envolvido na dinâmica ilícita tenha movimentado cifras bilionárias.

As informações são do site G1/Bahia.

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