Alexandre suspende interrogatório de Witzel no tribunal do impeachment
Por Estadão
26/12/2020 às 16:00
Atualizado em 27/12/2020 às 06:36
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes suspendeu o interrogatório do governador afastado Wilson Witzel (PSC) no Tribunal Misto que conduz o processo de impeachment. A oitiva estava agendada para a próxima segunda, 28, e agora só poderá ser realizado após a defesa do ex-juiz ter acesso aos documentos enviados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) aos deputados e desembargadores que conduzem o afastamento.
A decisão atende pedido da defesa de Witzel que, além da falta de acesso aos documentos do STJ, também questionou o depoimento a forma como Edmar Santos, ex-secretário de Saúde, foi que ouvido com reservas por ser delator nas investigações que miram o governador afastado perante a Procuradoria-Geral da República. Para Moraes, ambas as reclamações prejudicam a defesa de Witzel.
“Encerrar-se a instrução e interrogar o acusado antes que se possa ouvir a testemunha sobre todos os fatos descritos nos autos e admitir o interrogatório antes que se realize a instrução em sua plenitude acarretará gravíssimo ferimento ao devido processo legal, consagrado constitucionalmente e secundado pelos princípios corolários da ampla defesa e contraditório”, frisou o ministro.
Moraes destacou que foram registradas diversas manifestações no sentido de que Edmar Santos seria ouvido, mas não poderia comentar o que delatou à PGR. “Ou seja, a testemunha que é corré em processo criminal juntamente com o Reclamante, baseado nos mesmos fatos, não foi ouvida sobre tudo o que sabe ou poderia auxiliar no exercício do direito de defesa, por vedação legal que desaparecerá com o recebimento da denúncia na ação penal em que houve a delação”.
