Home
/
Noticias
/
Salvador
/
Professores estaduais e municipais ameaçam "cruzar os braços" caso as aulas voltem em dezembro
Professores estaduais e municipais ameaçam "cruzar os braços" caso as aulas voltem em dezembro
Por Redação
09/11/2020 às 19:38
Atualizado em 09/11/2020 às 19:43
Foto: Reprodução

Em audiência pública, professores das redes municipal e estadual, coordenadores pedagógicos, gestores e entidades de classe ameaçaram "cruzar os braços" caso as aulas sejam retomadas em dezembro. Em relação à medida de antecipação das férias de 30 dias no mês de novembro sem "consulta" à categoria, foi classificada como "ilegal", “autoritária” e " insensível".
A audiência discorreu sobre a possibilidade de retorno das aulas durante a pandemia e foi conduzida pelo presidente da Comissão de Criança e Adolescente e vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Salvador (CMS), vereador e candidato à reeleição, Marcos Mendes (PSOL). A iniciativa aconteceu na última sexta-feira (6).
Na ocasião, Marcos Mendes (PSOL) destacou que as escolas não são "depósitos de crianças", muito pelo contrário, são locais que possuem como finalidade o desenvolvimento cognitivo e visam promover interação e socialização. Para o vereador, se as aulas forem retomadas durante a pandemia, as crianças poderão funcionar como vetores de contaminação da Covid-19. "Nós temos a cultura do abraço e do toque. As crianças podem se contaminar e infectar toda a família. As vidas importam! Precisamos prevenir as vidas dos nossos filhos, professores, coordenadores pedagógicos, gestores e trabalhadores da Educação de uma forma geral", argumentou o parlamentar.
O vereador frisou que se opõe ao retorno das aulas tanto nas escolas públicas como nos colégios particulares e, no caso da rede pública, segundo ele, a situação apresenta-se ainda mais "sensível" devido aos diversos problemas estruturais das unidades escolares municipais e estaduais. "Nós não temos como impedir que as escolas particulares reabram as portas e retomem as aulas se assim o Decreto permitir. Mas, na minha opinião, as aulas das instituições privadas e públicas só deveriam ser retomadas quando a população já estivesse vacinada", defende Marcos Mendes.
O representante da APLB-Sindicato, Marcos Barreto, salientou que as férias coletivas antecipadas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de Salvador são decisões de "gabinetes" sem diálogo e negociação com a categoria e informou que a APLB já ingressou com ação no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) para questionar a legalidade da medida. "Nós ficamos sabendo das nossas férias pela mídia. Os trabalhadores da Educação não foram consultados", protestou, ao frisar que a medida possui um "teor muito mais político" do que técnico- administrativo haja vista que foi uma deliberação tomada fora do âmbito da Secretaria Municipal de Educação (SMED).
Marcos Barreto pontuou que, atualmente, não há nenhuma condição das aulas serem retomadas na rede pública e as férias antecipadas podem ser um "indicativo" de reabertura das escolas em dezembro. "Mesmo se nós já estivéssemos com a vacina, não teríamos como retornar às aulas agora em dezembro porque precisaríamos fazer um novo planejamento pedagógico", esclareceu.
