Para tentar fugir de 'lockdown', Eslováquia testa 2,6 milhões em um dia
Por Folhapress
01/11/2020 às 21:00
Foto: Reprodução/Folha de São Paulo

Para tentar conter o contágio de coronavírus sem precisar recorrer a um novo confinamento, o governo da Eslováquia começou neste sábado (1º) a testar toda a população do país acima dos dez anos de idade.
No primeiro dia dos dois finais de semana, foram testados 2,58 milhões de eslovacos – quase metade da população de 5,6 milhões de habitantes. Tiveram resultado positivo 25,85 mil, ou 1% dos que fizeram o teste. Eles ficarão em quarentena.
A Eslováquia, um dos primeiros países europeus a implantar confinamento na primeira onda de coronavírus, tem a segunda menor taxa de mortes do continente: 40 mortos por Covid-19 para cada 1 milhão de habitantes, atrás apenas da Letônia, que tem 39/1 milhão, desde o começo da pandemia.
O governo eslovaco implantou confinamento seis dias antes de confirmar a primeira morte por Covid-19, em 12 de março, o que também lhe garantiu uma baixa taxa de casos confirmados: 1.100/100 mil habitantes, cerca da metade da francesa, por exemplo, que chega a 2.100/100 mil.
O governo eslovaco teme, porém, um repique mais forte como o que ocorreu na vizinha República Tcheca, que nas últimas semanas vem enfrentando o triplo de novos casos diários e uma alta taxa de mortes.
Para implantar o programa de testes universais, foram montados 5.000 postos nas 141 cidades eslovacas. A participação foi voluntária, mas o governo pretende restringir o movimento dos que se recusarem a passar pelo diagnóstico.
"A liberdade deve caminhar junto com a responsabilidade", disse o primeiro-ministro eslovaco, Igor Matovic, à imprensa nacional. Segundo ele, todos devem proteger os idosos e doentes.
A estratégia de testes, rastreamento de contatos e isolamento é uma das opções já defendidas pela Organização Mundial da Saúde para evitar a transmissão do coronavírus. Ela depende, porém, de que as pessoas que tiveram resultado positivo fiquem realmente isoladas, afirmou na última sexta a líder técnica da OMS para Covid-19, Maria Van Kerkhove.
Outras medidas como distanciamento físico, higiene das mãos e evitar lugares fechados e aglomerações também devem ser mantidas por toda a população, segundo a OMS.
Em outros países europeus, o rápido aumento de novos casos de Covid-19 suplantou a capacidade de rastrear contatos, e vários anunciaram bloqueios parciais, por cerca de um mês. A paralisação já foi definida na Alemanha, França, Inglaterra, Portugal, Bélgica e Áustria, entre outros.
