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Eleições devem reforçar aliança de Bolsonaro com centrão, avalia Planalto

Eleições devem reforçar aliança de Bolsonaro com centrão, avalia Planalto

Por Folha de S.Paulo

17/11/2020 às 12:52

Foto: Alan Santos/PR

Jair Bolsonaro

O resultado da eleição municipal deste domingo (15), que alavancou os principais partidos do chamado centrão, fez integrantes do Palácio do Planalto e aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) avaliarem que o mandatário precisa intensificar a aliança com esse grupo de siglas de olho em 2022.

O presidente viu a maioria dos candidatos que apoiou fracassar no pleito. Dos nomes apoiados por ele nas grandes cidades, apenas Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio de Janeiro, e Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza, foram para o segundo turno.

Apesar do fraco desempenho dos candidatos apoiados por Bolsonaro, auxiliares do presidente refutam a tese de que ele sofreu uma derrota na eleição.

Primeiramente, esses assessores dizem que ele mal se envolveu na campanha. Em segundo lugar, afirmam que alguns poucos nomes que receberam o aval presidencial tiveram melhora de índices na última semana antes da eleição.

Auxiliares palacianos citam como exemplo Bruno Engler (PRTB), que, segundo as pesquisas, ficaria em terceiro lugar na corrida pela Prefeitura de Belo Horizonte. Acabou em segundo, com 9,95% dos votos —distante de Alexandre Kalil (PSD), reeleito com 63,36%.

A chegada de Crivella ao segundo turno também é atribuída ao respaldo de Bolsonaro.

Embora ressaltem que a eleição municipal não é parâmetro para tirar conclusões antecipadas sobre a disputa pela Presidência, aliados de Bolsonaro admitem que será importante lutar para manter as alianças com as siglas de centro e ter o apoio delas para conseguir palanques em municípios importantes em 2022.

O presidente foi eleito em 2018 sem o apoio de partidos relevantes no primeiro turno, na esteira da onda antipolítica. Esse movimento, porém, aparenta ter perdido força na eleição municipal, o que reforça a necessidade de Bolsonaro ter apoios estratégicos daqui a dois anos.

Nesta segunda-feira (16), dia seguinte à eleição municipal, as alas ideológica e pragmática do governo se dividiram em relação ao resultado das urnas.

Mais conservadores, discípulos do escritor Olavo de Carvalho admitiram a derrota do campo na eleição.

Assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins escreveu nas redes sociais que a "esquerda ressuscitou" e a "motivação permanente ($$$) dos partidos fisiológicos se impôs mais uma vez e permitiu que eles voltassem a crescer".

"Ou enfrentamos isso, ou seguiremos perdendo", afirmou Martins, em relação aos conservadores. O assessor pregou uma autocrítica do campo e recuperar as ideias, propostas e bandeiras para manter "o conservadorismo vivo".

"Também diria que temos que entender que nossa vitória em 2018 foi circunstancial, fruto de uma conjunção de fatores ocasionais com o arbítrio de nosso povo. Vencemos porque tínhamos o melhor candidato e também porque tínhamos uma conjuntura favorável, construída desde 2013", afirmou.

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