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Bolsonaro pode se tornar o presidente que menos elegeu prefeitos

Bolsonaro pode se tornar o presidente que menos elegeu prefeitos

Por Estadão Conteúdo

15/11/2020 às 23:33

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro

O resultado das eleições municipais sinaliza que o presidente Jair Bolsonaro já não demonstra a mesma capacidade de transferência de votos das eleições de 2018, quando ajudou a eleger governadores, senadores e dezenas de deputados federais e estaduais. Dos 13 candidatos a prefeito apoiados por Bolsonaro, nove não estavam entre os dois primeiros colocados até as 23 horas.

Os resultados preliminares indicavam que passariam ao segundo turno apenas Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, e Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza. O ex-senador Mão Santa (DEM) seria o reeleito prefeito em Paranaíba, no Piauí, e Gustavo Nunes (PSL) liderava a disputa pela prefeitura em Ipatinga, em Minas Gerais.

Mesmo com as urnas ainda abertas, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro foi às redes sociais registrar o fracasso de Bolsonaro e observar resultados favoráveis para a esquerda. “Os candidatos apoiados pela Presidência fracassaram e o PSOL tornou-se o partido de esquerda mais relevante”, observou o ex-juiz.

Também pelo Twitter, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), mesmo sem apresentar qualquer evidência, levantou suspeita de fraude para a derrota de candidaturas de nomes conservadores. "O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?", questionou a parlamentar.

Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), feito a pedido do Estadão, mostra que os partidos dos presidentes da República desde Fernando Henrique Cardoso conseguiram eleger números expressivos de prefeitos dois anos depois de conquistarem o primeiro mandato. O PSDB aumentou de 317 cidades, em 1992, para 934 em 1996. Já o PT, de Luiz Inácio Lula da Silva, passou de 174, em 2000, para 400 prefeituras em 2004. Com Dilma Rousseff, o PT cresceu de 557 em 2008 para 638 em 2012.

Bolsonaro foi eleito pelo PSL, mas deixou o partido um ano depois. O presidente tentou criar o Aliança pelo Brasil, mas a legenda não saiu do papel. Parte dos candidatos bolsonaristas, entretanto, permaneceram no PSL e os demais buscaram abrigos em siglas pequenas.

Auxiliares e aliados do Palácio do Planalto tentam afastar do presidente o saldo negativo das eleições e evitam traçar perspectivas para 2022 a partir dos resultados deste domingo, 15. O argumento de pessoas próximas ao governo é que Bolsonaro não tem um partido e escolheu seus apadrinhados por uma questão pessoal, pedindo votos mesmo para candidatos que não demonstravam força eleitoral, a exemplo de Bruno Engler (PRTB) em Belo Horizonte e coronel Menezes (Patriota) em Manaus.

Na reta final, ainda deu apoio à delegada Patrícia (Podemos), no Recife. Interlocutores citam ainda que as eleições municipais guardam diferenças de uma votação nacional e, portanto, não devem ser usadas como parâmetro para 2022.

O presidente, que inicialmente disse que não participaria da campanha, passou a pedir votos e diversas vezes citou que o eleitorado deveria optar por candidatos de direita e afinados a ele. No Rio, apoiou o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que vai ao segundo turno com Eduardo Paes (PSB). E em São Paulo, embarcou na candidatura de Celso Russomanno (Republicanos), que terminou em quarto lugar. A prefeitura da capital será disputa por Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSL).

Na semana passada, o chefe do Executivo fez lives diariamente transmitidas do Palácio da Alvorada em que exibia a foto e o número seus indicados tanto a prefeito quanto a vereador. O “horário eleitoral gratuito”, como o presidente classificou, vem sendo apurado pelo Ministério Público.

“A todos vocês que acreditam no meu trabalho e estão vendo o que está sendo feito, o sacrifício, o empenho e a dedicação em especial junto aos mais humildes. Então, se você quer me fortalecer, fortaleça nossos candidatos”, disse em seu “horário eleitoral gratuito”, o que confronta a narrativa dos aliados palacianos de que não houve empenho de Bolsonaro.

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