Críticas de eleitores e aliados a Kássio são uma covardia, diz Bolsonaro
Por Folhapress
02/10/2020 às 11:45
Foto: Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) formalizou a indicação do juiz federal Kássio Nunes Marques, 48, para ocupar a vaga que será deixada neste mês pelo ministro Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal).
A concessão da aposentadoria e a oficialização do nome para a apreciação do Poder Legislativo foram publicadas no "Diário Oficial da União". O rito formal permite ao magistrado que seja sabatinado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.
Se aprovado, seu nome segue para apreciação do plenário. E, caso a decisão seja confirmada por maioria absoluta, ele é então nomeado ao posto.
A oficialização da indicação foi feita antes da aposentadoria do ministro atual, um procedimento que não é comum em nomeações ao STF. O costume é que se espere que o posto fique vago para formalizar a indicação, em um gesto de respeito ao atual ocupante do cargo.
No Diário Oficial da União, o presidente afirmou que encaminhou o nome neste momento "considerando a necessidade de prévia organização para o funcionamento das deliberações" do Senado em virtude "do estado de calamidade pública decorrente da pandemia do coronavírus".
Em conversa, no início desta semana, Bolsonaro recebeu a indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de que a sabatina será marcada ainda neste ano. O presidente foi informado, no entanto, que ela pode ficar para dezembro devido às eleições municipais.
Na manhã desta sexta-feira (2), em conversa com um grupo de apoiadores, Bolsonaro defendeu a indicação de Kássio. Segundo ele, as críticas recebidas pelo juiz federal por eleitores e aliados do presidente são uma "covardia".
Bolsonaro disse ainda que a indicação está mantida, a não ser que apareça um fato novo "gravíssimo" contra o magistrado, o que o presidente disse não acreditar que ocorra.
"Eu lamento muito que uma autoridade lá do Rio de Janeiro, que eu prezava muito, está me criticando muito, com videozinho me xingando de tudo o que é coisa", disse. "Essa infâmia em especial que essa autoridade lá do Rio de Janeiro está fazendo contra o Kássio é uma covardia. Até porque ele esta fazendo isso porque queria que eu colocasse um indicado por ele", acrescentou.
Na quinta-feira (1º), antes mesmo da indicação ter sido anunciada, o pastor Silas Malafaia gravou vídeo no qual classificou a escolha de Bolsonaro como um "absurdo vergonhoso" e ressaltou que o presidente está "cedendo a quem jamais deveria ceder".
"Meu presidente, com todo o respeito, como é que o senhor vai indicar um cara para o STF nomeado por Dilma, amigo da petralhada, com posições socialistas", afirmou. "É uma decepção geral. O senhor está colocando um camarada que atende o centrão, o PT e a esquerda", emendou.
Kássio integra o Tribunal Regional Federal da 1ª Região e ganhou o apoio de Bolsonaro com a chancela de caciques de partidos do centrão, representando ainda um gesto ao Nordeste, região onde o presidente sofreu derrota eleitoral em 2018.
Hoje, o Supremo não tem nenhum ministro nordestino. A escolha de Kássio foi influenciada pelos senadores Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI), um dos líderes do centrão no Congresso.
Segundo aliados do presidente, na semana passada, Flávio sugeriu ao pai que avaliasse Kássio para o STF. O juiz federal estava em campanha para o STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Os advogados Frederick Wassef e Willer Tomaz também teriam respaldado a indicação, de acordo com aliados de Bolsonaro e integrantes do Judiciário.
