Associações de juízes aderem à agenda bolsonarista e apoiam Kassio Nunes
Por Folha
02/10/2020 às 16:31
Atualizado em 02/10/2020 às 16:31
Foto: Ramon Pereira/Ascom-TRF1

A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e a AJUFE (Associação dos Juízes Federais do Brasil) distribuíram notas de apoio à indicação, pelo presidente Jair Bolsonaro, do juiz federal Kassio Nunes Marques para a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal [veja as íntegras mais abaixo].
Juízes têm externado insatisfação em listas fechadas na internet, mas evitam opinar publicamente e sofrer intervenção do Conselho Nacional de Justiça sob a alegação de manifestação política.
AMB e AJUFE poderiam ter feito consultas à magistratura, como fizeram anteriormente na formação de listas tríplices para vagas no STF e no Superior Tribunal de Justiça, mas fugiram do modelo. Aderiram ao expediente do procurador-geral da República, Augusto Aras, que evitou a lista tríplice da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).
Ao que tudo indica, as duas entidades mergulharam de cabeça na agenda bolsonarista, encorpando os interesses políticos imediatos do Centrão. Escolheram um indicado quando, a rigor, ainda não existe a vaga, pois o decano continua ministro.
Transferiram ao Senado –com suas sabatinas geralmente conciliatórias– uma seleção prévia de interesse público e da magistratura.
De certa forma, o açodamento também desprestigia o decano, que foi voz isolada e corajosa ao rebater as ameaças –fardadas ou não– à democracia, à independência da magistratura e à autonomia do Supremo.
