Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Governador interino, Castro sinaliza troca de secretários no RJ para marcar ruptura com gestão Witzel
Governador interino, Castro sinaliza troca de secretários no RJ para marcar ruptura com gestão Witzel
Por Folha de S.Paulo
03/09/2020 às 06:46
Atualizado em 03/09/2020 às 06:46
Foto: Dida Sampaio/Estadão

O governador interino do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), começou a discutir com aliados mudanças no secretariado após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ratificar o afastamento do titular, Wilson Witzel (PSC), por seis meses.
O processo de impeachment contra o ex-juiz também deve caminhar com celeridade na Assembleia Legislativa do Rio.
Em conversas, Castro tem sinalizado o desejo de substituir secretários já na semana que vem. A expectativa é que a mudança seja ampla como demonstração de ruptura com o modelo herdado de Witzel.
As alterações também poderão servir como um gesto para a Assembleia, já que o interino pode aceitar indicações dos deputados numa tentativa de reestruturar a articulação do governo na Casa.
Alvo de um mandado de busca e apreensão na última sexta-feira (28), na mesma operação que mirou Witzel, Castro assumiu o governo fluminense como refém da família do presidente Jair Bolsonaro.
O interino necessita de apoio político para governar. Por isso, já avisou a aliados que pretende consultar o clã presidencial sobre a sucessão na Procuradoria-Geral de Justiça do Rio, onde tramitam casos de interesse da família, como o inquérito do suposto esquema de "rachadinha" no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando era deputado estadual.
Segundo aliados, Castro pretende ser candidato ao Governo do Rio em 2022. Ainda assim, ele tem sido aconselhado a se calar sobre suas pretensões –além de conter o ímpeto dos entusiastas de sua candidatura– para não antecipar a disputa.
Isso porque apoiadores de Bolsonaro estão convencidos de que o presidente não abrirá mão de ter um candidato de sua confiança na disputa pelo Palácio Guanabara em 2022, quando concorrerá à reeleição.
Na última segunda-feira (31), Castro escreveu em redes sociais que recebeu uma ligação de Flávio Bolsonaro se colocando à disposição para ajudar o estado na renovação do regime de recuperação fiscal.
O governador interino se encontrará com o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira (3). Ele também tem procurado o presidente, que ainda não o atendeu.
Embora Flávio atue como avalista de Castro, Bolsonaro não quer aparecer como patrocinador do governo –mesmo porque não ainda não se sabe como irão avançar as investigações da PGR (Procuradoria-Geral da República).
"O governo Bolsonaro quer ajudar o Rio, desde que o estado deixe de ser um filho playboy que fica pedindo dinheiro", diz o deputado estadual bolsonarista Anderson Moraes (PSL), fazendo a ressalva de que não é um porta-voz do presidente.
Para bolsonaristas, Castro deve reduzir o número de secretarias e cargos comissionados para provar que está fazendo o dever de casa e mostrar a intenção de mudar as práticas de Witzel. Para isso, o novo governador precisará equilibrar a austeridade com a necessidade de garantir apoio político com os deputados.
Devem deixar o cargo secretários que foram alvo de mandado de busca e apreensão, como Leonardo Rodrigues, chefe da pasta de Ciência e Tecnologia, investigado sob suspeita de receber uma mesada de R$ 150 mil de um dos supostos coordenadores do esquema de corrupção na gestão Witzel.
