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Valmir diz que “ONU precisa intervir para evitar mais violência contra religiões de matriz africana”

Valmir diz que “ONU precisa intervir para evitar mais violência contra religiões de matriz africana”

Por Redação

04/08/2020 às 17:47

Atualizado em 04/08/2020 às 17:47

Foto: Agência Câmara

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA)

Racismo, discriminação, xenofobia e intolerância religiosa. Esses foram alguns crimes relatados por entidades da sociedade civil e parlamentares brasileiros contra membros de religiões de matriz africana no país em documento entregue à Organização das Nações Unidas (ONU). O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) assina o documento e defende uma intervenção urgente da organização para evitar mais violência contra os praticantes na Bahia, por exemplo. Ele lembra os casos recentes de ataques a monumentos, como contra o busto de Mãe Gilda, e a terreiros e centros religiosos, e diz que outros “inúmeros casos de violência psicológica, apedrejamentos, depredações, incêndios criminosos, atentados contra a vida e o sagrado, só aumentam os discursos de ódio”.

“É um absurdo que isso ainda aconteça no nosso país. A liberdade de religião é constitucional. Todos temos o direito de se expressar. E esse documento é neste sentido, para que a ONU tenha conhecimento das inúmeras violações que acontecem e que o governo Bolsonaro já tem conhecimento, mas nada faz para conter essa violência”, declara Valmir. O parlamentar aponta que os dados foram enviados para Tendayi Achiume, que é relatora especial da ONU sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância. Valmir descreve que os dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), apontam que as religiões de matriz africana com maior número de adeptos no Brasil são a umbanda e o candomblé, e que representam 0,3% da população brasileira. Mesmo sendo baixo o número de praticantes, eles são as maiores vítimas de violência e violação de direitos.

“Conforme estudo, a partir do ‘Disque 100’, entre o mês de janeiro de 2015 e o primeiro semestre de 2017, o país teve uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas. A maioria das vítimas de intolerância é de religiões de origem africana, com 39% das denúncias”, explica Assunção utilizado dados do documento. Ainda conforme esse levantamento, umbanda teve 26 casos de violações, candomblé teve 22 e as chamadas matrizes africanas chegaram a 18 casos, seguidas por católica, com 17, e evangélica com 14. No ano de 2007, uma lei instituiu 21 de janeiro como o ‘Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa’. Essa data é a do falecimento da iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador. Gilda foi acusada de charlatanismo, sua residência foi atacada e pessoas da comunidade foram agredidas. Por conta disso, ela morreu de infarto.

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