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Em crise e por sobrevivência, clã Sarney se aproxima do bolsonarismo, diz jornal
Em crise e por sobrevivência, clã Sarney se aproxima do bolsonarismo, diz jornal
Por Redação
16/08/2020 às 18:00
Atualizado em 16/08/2020 às 18:00
Foto: Divulgação

Um dos clãs mais longevos e notórios da política brasileira, os Sarney veem boa parte de seus aliados históricos flertando com o bolsonarismo no Maranhão, tendência que deve ficar mais evidente nas eleições deste ano. O alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro é a estratégia para aumentar a polarização com o governador Flávio Dino (PCdoB) e frear o crescimento político que ele teve nos últimos anos.
Pela primeira vez em anos, apenas um integrante da família Sarney tem mandato. Deputado estadual e filho do ex-ministro Sarney Filho, Adriano Sarney (PV) abandonou em público o sobrenome famoso, fato que teria causado certa decepção entre familiares — politicamente, usa apenas Adriano. Ele é um dos nomes cogitados para concorrer à prefeitura de São Luís, mas adversários dizem que uma derrota poderia colocar de vez uma pá de cal na carreira política da família.
Um dos nomes mais fortes do grupo é o do deputado federal Eduardo Braide (Pode-MA). A articulação é para que haja uma única candidatura de oposição ao cargo, para impedir a vitória de um político alinhado ao governador. O parlamentar avança na base bolsonarista e no segmento evangélico. Um de seus principais aliados, o também deputado federal Pastor Gildenemyr (PL-MA), é um dos maiores apoiadores do presidente no estado.
O alinhamento do grupo de Sarney com Bolsonaro começou com um gesto da própria família. Em 2018, Sarney Filho, Adriano e a ex-governadora Roseana Sarney apoiaram Bolsonaro no segundo turno. Adriano usa palavras comuns aos bolsonaristas, como “comunistas”, para se referir aos adversários, repetindo discurso já feito pela família para definir Dino. No dia 7 de setembro, postou uma imagem em que havia bandeira do Brasil com a hashtag #NordesteSemEsquerda.
Os acenos na eleição de 2018 pouco lembram o passado em que a família apoiou as gestões petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff na Presidência. A relação era tão consolidada que Lula impôs ao PT o apoio a Roseana na briga pelo governo do estado em 2014, contra Dino, do PCdoB, aliado histórico dos petistas. Além disso, em 2009, após intervenção direta do Palácio do Planalto, os senadores petistas deram os votos necessários para arquivar todos os processos no Conselho de Ética contra Sarney, então presidente do Senado.
As informações são do jornal O Globo.
